Cuba reage a Trump, denuncia bloqueio e recebe apoio internacional
Presidente de Cuba condena ameaças dos EUA, atribui crise ao cerco econômico e é respaldado por China e Venezuela, que cobram o fim das sanções e das medidas coercitivas
Publicado 12/01/2026 12:23 | Editado 13/01/2026 08:16
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu neste domingo (11) às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interromper o fornecimento de petróleo e recursos financeiros que a ilha recebia da Venezuela, classificando o discurso norte-americano como ofensivo e reafirmando a soberania e independência do país diante da pressão externa.
A posição de Havana foi respaldada por China e Venezuela, que manifestaram apoio à soberania cubana, defenderam o direito ao comércio internacional e exigiram o fim do bloqueio e das medidas coercitivas unilaterais impostas pelos Estados Unidos.
“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos Estados Unidos há 66 anos e não ameaça: se prepara, disposta a defender a Pátria até a última gota de sangue”, escreveu Díaz-Canel, ao reagir às ameaças feitas por Washington.
O presidente cubano afirmou ainda que “aqueles que culpam a Revolução pelas severas carências econômicas que enfrentamos deveriam se calar por vergonha”, ao sustentar que as dificuldades do país são resultado “das draconianas medidas de asfixia extrema que os Estados Unidos nos aplicam há seis décadas e que agora ameaçam se intensificar”.
Trump afirmou, em publicações nas redes sociais, que Cuba deixará de receber o petróleo e os recursos financeiros provenientes da Venezuela, ao acusar a ilha de prestar “serviços de segurança” ao governo venezuelano.
O presidente norte-americano declarou que “não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba” e pressionou Havana a “fazer um acordo antes que seja tarde demais”
Em comunicado divulgado pelo chanceler Yván Gil, o governo venezuelano afirmou que a relação com Cuba “tem sido historicamente fundamentada na irmandade, na solidariedade, na cooperação e na complementariedade”, ressaltando que os vínculos bilaterais se desenvolvem em conformidade com a Carta das Nações Unidas, o direito internacional, a autodeterminação dos povos e a soberania nacional.
No texto, Caracas reiterou ainda que “as relações internacionais devem ser regidas pelos princípios do direito internacional, da não intervenção, da igualdade soberana dos Estados e da livre determinação dos povos”, defendendo que “o diálogo político e diplomático é o único caminho para dirimir, de maneira pacífica, controvérsias de qualquer natureza”.
A chancelaria venezuelana ressaltou que os acordos de cooperação com Cuba, inclusive no setor energético, foram construídos de forma legítima e desenvolveram projetos de benefício mútuo em áreas como energia, saúde, educação e esporte.
A China também reagiu às ameaças contra Cuba e manifestou apoio à soberania da ilha. Em coletiva de imprensa, a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que Pequim “apoia firmemente a salvaguarda da soberania e da segurança de Cuba” e se opõe “a qualquer forma de interferência externa”.
Mao Ning exigiu que os Estados Unidos “cessem imediatamente o bloqueio, as sanções e qualquer forma de coerção” contra Cuba e afirmou que medidas unilaterais não contribuem para a paz nem para a estabilidade regional.
Questionada sobre as declarações de Trump envolvendo o petróleo venezuelano, a porta-voz chinesa declarou que os países da América Latina “são nações soberanas e independentes, com direito de escolher livremente seus parceiros”.
Segundo ela, a China seguirá aprofundando a cooperação prática com a região, “incluindo a Venezuela”, e promovendo o desenvolvimento comum.