Lula entrega 1.276 moradias feitas por entidades populares
Presidente alerta para o vício digital, critica Trump por governar pelo celular e convoca o povo a comparar avanços atuais com o abandono do governo anterior
Publicado 20/01/2026 15:58 | Editado 23/01/2026 08:01
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformou a entrega do empreendimento habitacional Junção, em Rio Grande (RS), nesta terça-feira (20), em um forte ato de afirmação da soberania popular e da justiça social. Para além das chaves entregues a mais de 5 mil moradores, o evento marcou a vitória da organização popular sobre o descaso histórico. “Não são apenas habitações. Estamos entregando dignidade e o fim de um período de abandono imposto pelo golpe de 2016 e pelo desmonte que se seguiu”, afirmou o presidente, lembrando que o projeto, iniciado no governo Dilma Rousseff, só pôde ser concluído agora, com o retorno da democracia plena ao Planalto.
O triunfo da organização popular
O destaque central da cerimônia foi o reconhecimento da competência dos movimentos sociais. O Junção é fruto do Minha Casa, Minha Vida Entidades, uma modalidade em que cooperativas e movimentos habitacionais gerem a obra. Lula rebateu a elite que duvidava da autogestão dos trabalhadores. “Havia muita gente que dizia que as entidades não teriam competência. O que constato hoje é que elas não só aprenderam, como conseguem fazer maior e melhor do que as empresas que contratamos. Fizeram uma casa com varanda, com churrasqueira e infraestrutura completa”, elogiou.
A arquiteta Andreia Camilo Rodriguez, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), emocionou o público ao contar que sua própria trajetória, de moradora de ocupação à arquiteta formada pelo Fies, é prova de que o teto é apenas o começo da emancipação da classe trabalhadora.
A cutucada em Trump e o alerta sobre o abuso digital
Durante o discurso, Lula elevou o tom contra a desumanização causada pelo uso abusivo da tecnologia e a política de aparências e mentiras da extrema direita. Em um recado direto ao presidente norte-americano, Donald Trump, Lula questionou o distanciamento dos líderes que preferem as redes sociais ao contato direto com o povo. “Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Mas é possível tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês?”, indagou, defendendo que a política legítima é feita “olho no olho”.
Lula também lamentou o “vício” nas bets e nos celulares e defendeu o retorno ao humanismo: “Nós estamos virando um algoritmo. Uma mãe, quando a criança chora, não deve dar um tablet; deve dar um beijo e um carinho. Precisamos voltar a ser seres humanos e tirar esse ódio de perto de nós.”
2026: o ano da comparação contra a “Era da Mentira”
Lula projetou a disputa política de 2026 como o momento da verdade. Ele desafiou a população a comparar os resultados de seus três anos de mandato com os sete anos que somaram as gestões de Temer e Bolsonaro (2016-2022).
Ao final, o presidente reafirmou que o Estado existe para cuidar dos que mais precisam. “Os ricos precisam ser tratados com respeito, mas as políticas públicas têm que ser voltadas para o povo trabalhador”. O ministro das Cidades, Jader Filho, reforçou o compromisso, anunciando que a meta nacional de 2 milhões de casas foi batida com antecedência, com projeção de 3 milhões até o final do mandato.