Um poema esquecido entre lençóis amassados

Choveu. O poema molhou. Molhado e amassado misturou as palavras grudadas

Um poema, antes do tiro, da noite, do grito. As pessoas se perguntavam sobre o poema. Foi encontrado na cama amassado entre os lençóis. Como se estivesse esquecido entre as últimas vontades.  

Era segunda-feira. Tinha um poema amassado na cama e um buquê de flores murchas na janela da rua.  O café tinha gosto de obrigação e nada mais.

Choveu. O poema molhou. Molhado e amassado misturou as palavras grudadas. Já não era possível ler o poema. 

De cara amassada enfrentou com sorrisos a partida do poema. Remoído, mentiu para o dia e para a noite, mas não se enganou. A meia-noite, quando o tiro anunciava a morte, insistia em escrever poesias para as  manhãs de poemas amassados e esquecidos. Depois foi dormir para tentar catar estrelas para o amanhã.