Choveu. O poema molhou. Molhado e amassado misturou as palavras grudadas
Publicado 02/02/2026 16:39
Um poema, antes do tiro, da noite, do grito. As pessoas se perguntavam sobre o poema. Foi encontrado na cama amassado entre os lençóis. Como se estivesse esquecido entre as últimas vontades.
Era segunda-feira. Tinha um poema amassado na cama e um buquê de flores murchas na janela da rua. O café tinha gosto de obrigação e nada mais.
Choveu. O poema molhou. Molhado e amassado misturou as palavras grudadas. Já não era possível ler o poema.
De cara amassada enfrentou com sorrisos a partida do poema. Remoído, mentiu para o dia e para a noite, mas não se enganou. A meia-noite, quando o tiro anunciava a morte, insistia em escrever poesias para as manhãs de poemas amassados e esquecidos. Depois foi dormir para tentar catar estrelas para o amanhã.