Paquistão declara “guerra aberta” e bombardeia alvos do Talibã no Afeganistão

Ofensiva atinge Cabul e Kandahar em resposta a suposto apoio à milícia que atacou território paquistanes, gerando alertas de China e Rússia

Paquistão divulga imagens de bombardeio a Cabul | Foto: Forças Armadas do Paquistão | Divulgação

A Ásia Central enfrenta uma escalada militar crítica após o Paquistão declarar “guerra aberta” ao governo talibã do Afeganistão nesta sexta-feira (27). O anúncio, feito pelo ministro da Defesa Khawaja Muhammad Asif, rompe o cessar-fogo mediado por Catar e Turquia. Islamabad justifica a agressividade acusando Cabul de proteger milícias que mantêm alianças com a Índia, o que levou a uma série de ataques coordenados contra 22 alvos estratégicos em território afegão.

Paquistão e a Índia mantêm uma tensão alimentada por uma disputa histórica de soberania sobre o território da Caxemira e por acusações mútuas de “patrocínio ao terrorismo”, o que deixa os dois países em um estado de rivalidade nuclear permanente desde a Partilha de 1947.

Ofensiva militar e baixas reportadas

Durante a madrugada, bombardeios atingiram as províncias de Cabul, Kandahar e Paktia. O exército paquistanês afirma ter eliminado 274 combatentes e destruído 83 postos avançados. Em retaliação, o Talibã utilizou drones contra bases em solo paquistanês, incluindo as cidades de Islamabad e Abbottabad. Embora o governo afegão reivindique baixas significativas no inimigo, o Paquistão confirmou oficialmente a morte de 12 militares e o desaparecimento de um soldado nos confrontos recentes.

Impacto civil e monitoramento internacional

A ausência de verificadores independentes gera divergências nos balanços de vítimas, com o Talibã denunciando mortes de civis similares às ocorridas no início de fevereiro. Enquanto o governo em Cabul sinaliza abertura para o diálogo para conter a instabilidade, potências como China e Rússia pedem moderação imediata. O temor é que o conflito prejudique rotas comerciais e a coesão do Brics, embora a falta de comunicados diplomáticos formais sugira que a “guerra aberta” possa ser, inicialmente, uma estratégia de pressão retórica.