Mulheres na ciência ganham impulso com nova política do governo
Ministra Luciana Santos destaca desigualdades salariais de até 36,7% e apresenta programas que ampliam a presença feminina na ciência
Publicado 12/03/2026 15:37 | Editado 13/03/2026 15:08
Apesar de serem maioria nas universidades, no mestrado e no doutorado, as mulheres ainda enfrentam desigualdades salariais e barreiras para avançar nas áreas estratégicas da ciência. Para enfrentar essa contradição, o governo Lula ampliou políticas públicas voltadas ao incentivo e à permanência de meninas e mulheres nas carreiras científicas.
As iniciativas foram apresentadas pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PCdoB), durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, desta quarta-feira (11). Segundo ela, o desafio agora não é apenas ampliar o acesso, mas garantir condições para que as mulheres permaneçam e avancem na carreira científica.
“Sou a primeira mulher a assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia em 40 anos de existência da pasta. Temos a responsabilidade de garantir visibilidade, valorização e permanência das mulheres na ciência. O acesso já existe: somos maioria entre universitárias, mestres e doutores no país. Mesmo assim, ainda recebemos salários menores para funções iguais. A desigualdade média no Brasil é de 27%, mas na ciência, especialmente nas engenharias e nas ciências exatas, chega a 36,7%”, afirmou.
A política nacional lançada pelo governo federal reúne programas educacionais, bolsas acadêmicas, incentivos à inovação e ações de visibilidade para fortalecer a presença feminina nas áreas científicas e tecnológicas
Incentivo desde a escola até a pós-graduação
Entre as ações destacadas pela ministra está o programa Futuras Cientistas, que leva estudantes do ensino médio para experiências práticas em laboratórios e estimula o interesse pelas áreas científicas. “Futuras Cientistas é um programa de sucesso que leva meninas do ensino médio para dentro dos laboratórios. A eficiência desse programa eu acompanho desde os tempos que fui deputada federal, mas no Ministério a gente deu escala nacional. Os resultados são muito positivos: cerca de 80% dessas estudantes passam no Enem e aproximadamente 70% seguem para cursos nas áreas de ciência e tecnologia”, disse.
Outra iniciativa é o edital “mestrado-sanduíche” específico voltado para mulheres negras, indígenas e quilombolas, com bolsas para estudos no exterior, chamado de Atlânticas – Beatriz Nascimento. “São 90 bolsas que a gente conseguiu garantir para que mulheres com esse perfil, com esse corte, pudessem fazer pesquisas fora do país e se especializar”, explicou.
Mudanças nas regras para enfrentar desigualdades
A ministra também destacou mudanças nas regras de avaliação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que passaram a considerar o impacto da maternidade na trajetória das cientistas. “As cientistas que viram mães acabam tendo impacto dessa condição. Nós alteramos o tempo de produtividade dos resultados, considerando a escolha que essas mulheres fazem, e fizemos várias adaptações para dar conforto às mulheres”, ressaltou.
Segundo ela, políticas de inovação também têm incentivado a presença feminina no empreendedorismo científico. Atualmente, cerca de um terço das startups brasileiras é liderado por mulheres, cenário que vem sendo impulsionado por iniciativas como o Prêmio Inovador da FINEP para Mulheres Empreendedoras e o Prêmio Mulheres na Ciência, voltados à valorização e visibilidade das pesquisadoras.
Visibilidade para inspirar novas gerações
Para Luciana Santos, ampliar a visibilidade das cientistas brasileiras é fundamental para estimular novas gerações a ingressarem na pesquisa. “Estamos estimulando e fortalecendo a participação das mulheres e dando visibilidade às suas trajetórias, porque muitas vezes é essa visibilidade que inspira as meninas a seguirem carreiras científicas”, afirmou.
A agenda de inclusão feminina integra um esforço mais amplo de fortalecimento do sistema nacional de ciência e tecnologia. Entre 2023 e 2025, os investimentos federais no setor chegaram a cerca de R$ 49 bilhões, quase o dobro do período anterior, impulsionando infraestrutura científica, inovação tecnológica e formação de pesquisadores no país.
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