Irã exige condições para o fim da guerra e desafia cerco imperialista

Novo líder Seyyed Mojtaba Khamenei reafirma controle do Estreito de Ormuz e quer reparações de guerra dos EUA e de Israel

Edifício Bauhaus histórico em Tel Aviv danificado por explosão de míssil iraniano

Em pronunciamento oficial realizado nesta quinta-feira (12), o novo Líder Supremo do Irã, Aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, delineou a estratégia de defesa do país diante da escalada de ataques promovidos por Estados Unidos e Israel. Na primeira mensagem à nação, transmitida pela PressTV, o líder enfatizou a unidade nacional e a prontidão das Forças Armadas para uma “defesa contínua e eficaz”, destinada a dissuadir novas agressões ao território iraniano.

O discurso ocorre em um momento crítico, após incursões aéreas que atingiram instalações na região de Teerã, incluindo Aghdasieh, Shahran e Karaj. Segundo fontes locais, os ataques resultaram em vítimas fatais e danos severos à infraestrutura petrolífera.

Khamenei reiterou que o fechamento do Estreito de Ormuz permanece como uma prioridade estratégica, como uma medida de alto impacto na economia política global, dado que a região é o principal gargalo para o escoamento de energia mundial.

Além disso, o líder saudou a atuação da chamada “Frente de Resistência” — que engloba movimentos no Líbano (Hezbollah), Iêmen e Iraque — classificando a colaboração regional como fundamental contra o que define como projetos de dominação sionista na região. Em uma mensagem direta aos países vizinhos, o Aiatolá instou o encerramento de bases militares estrangeiras e sinalizou que a presença de tropas dos EUA no Golfo permanece como o principal obstáculo à estabilidade regional.

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O custo da guerra e a resiliência militar do Irã

Analistas apontam que a capacidade de resposta de Teerã tem desafiado as expectativas de Washington. O uso de armamento avançado, incluindo mísseis hipersônicos como o Fattah-1 e o Kheibar Shekan, demonstrou a capacidade de superar sistemas de defesa aérea tradicionais. De acordo com informações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a “Operação Promessa Verdadeira 4” atingiu alvos logísticos e infraestruturas de radar em diversas frentes.

No campo econômico, o conflito elevou o preço do barril de petróleo para patamares acima de US$ 100, com alertas de Teerã de que o valor pode atingir os US$ 200 caso as hostilidades persistam. O governo de Donald Trump enfrenta crescente pressão interna devido aos custos operacionais da guerra, que já ultrapassam os US$ 11 bilhões em menos de uma semana.

Agora é Irã que impõe condições pelo cessar-fogo

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reafirmou que o caminho para a desescalada depende do cumprimento de três premissas fundamentais:

  • Reconhecimento de Direitos Soberanos: Incluindo o direito ao enriquecimento nuclear pacífico e o fim das sanções unilaterais.
  • Reparações de Guerra: Compensação financeira pelos danos causados à infraestrutura civil e econômica do Irã.
  • Garantias Internacionais: Um mecanismo de segurança com participação de potências como Rússia e China para impedir novas agressões.

Censura em Israel e vulnerabilidades de Netanyahu

Enquanto o conflito entra em sua segunda semana, a postura intransigente de Benjamin Netanyahu tem exposto a fragilidade interna de Israel. Apesar da censura militar estrita, que proíbe transmissões ao vivo de intercepções e pune jornalistas por filmarem danos, imagens confirmadas pela Reuters e Times of Israel revelam o impacto real dos ataques: edifícios históricos em Tel Aviv destruídos, crateras em bairros residenciais e veículos incendiados em Haifa.

O noticiário  da CNN Internacional destacou que incidentes de repressão à imprensa foram registrados em Israel sob pretexto de prejudicar a defesa do país. Repórteres da CNN da Turquia foram detidos durante transmissão ao vivo em Tel Aviv e tiveram equipamentos confiscados. Erin Burnett, da CNN, admitiu que “não podemos mostrar interceptores no céu porque o governo israelense não permite, para não revelar origens de ataques ou defesas”. 

Enquanto a narrativa oficial israelense minimiza os prejuízos, dados de satélite e fontes locais apontam para danos estruturais significativos e um estado de alerta constante que paralisa a economia do país.

Balanço do teatro de guerra:

No 13º dia do conflito, o balanço é trágico. Os bombardeios dos EUA e Israel contra cerca de 10.000 pontos estratégicos no Irã resultaram em mais de 1.300 mortos e 17.000 feridos. Em resposta, o Irã mantém ataques ininterruptos, incluindo o lançamento de drones contra bases regionais e centros urbanos, resultando em 18 mortos e mais de 2.700 feridos em solo israelense, além de baixas confirmadas em tropas americanas.

O Irã sinaliza manter capacidade para uma guerra prolongada, utilizando minas no Estreito de Ormuz para bloquear o fluxo naval e elevar a pressão sobre os aliados dos EUA. Sem negociações formais, Teerã rejeita qualquer cessar-fogo que não atenda às suas condições soberanas. O cenário evidencia o fracasso das soluções de força do imperialismo, diante de um povo iraniano que se mantém unido na resistência contra a agressão externa.