Trump é o líder mundial que mais inspira desconfiança entre latino-americanos
Pesquisa mostra Trump no topo da desconfiança na América Latina e indica a China à frente dos EUA como referência de desenvolvimento futuro
Publicado 06/05/2026 17:40 | Editado 07/05/2026 18:10
A popularidade de Donald Trump segue baixa dentro dos Estados Unidos, onde 62% o rejeitam, conforme pesquisa Reuters/Ipsos. A situação não é diferente fora do país, quando se considera a avaliação de desconfiança feita na América Latina (AL) sobre líderes.
De acordo com a pesquisa Amlat Radar 2026, da fundação alemã Friedrich Ebert, o presidente dos Estados Unidos é o líder que mais inspira desconfiança na população latino-americana.
Trump lidera o ranking de desconfiança na AL com 25,4%, seguido pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, com 12,2%, o venezuelano Nicolás Maduro, com 5,1%, e o presidente da China, Xi Jinping, com 4,7%. O presidente Lula é citado por 1,2%.
Quando se isola a visão dos brasileiros, a desconfiança contra Trump vai a 26%, enquanto a de Putin reduz para 7%, a de Xi Jinping para 4% e a de Maduro chega a 1%. Já o presidente Lula tem 12% de citações entre seus compatriotas, o que é plausível dada a polarização bolsonarista no país.
Foram entrevistadas 12 mil pessoas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México, Uruguai e Venezuela.
Países modelo de desenvolvimento
O levantamento ainda avaliou a percepção dos latino-americanos sobre quais países são considerados os melhores modelos de desenvolvimento para a sua nação no futuro.
Nessa condição, em que se pode apontar mais de um país, a China desponta como país mais indicado, para 36,1%, seguido de Japão, 31,7%, e dos Estados Unidos, 31,4%. No Top 5 ainda estão Canadá (29,5%) e Alemanha (28,7%).
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Esses dados mostram o quão forte é a imagem positiva chinesa na América Latina, com a China vista como o principal modelo de futuro pela maioria dos entrevistados.
Porém, ao se considerar a visão da população brasileira, os primeiros lugares se invertem, sendo os Estados Unidos os mais citados, abrangendo 34% das indicações, seguidos de perto pela China com 31%. Depois aparecem Japão (26%), Canadá (25%) e Alemanha (21%).
Palavra que define China, EUA e União Europeia
O estudo ainda perguntou aos entrevistados da América Latina quais palavras definem melhor a China, os EUA e a União Europeia (não seus líderes). Entre as palavras indicadas constam: esperança, segurança, desconfiança, admiração, medo e desprezo.
A palavra mais citada por latino-americanos sobre a China é admiração (23%), seguida de desconfiança (21%), esperança (17%), segurança (13%), medo (7%) e desprezo (2%). Os demais não souberam ou não responderam.
Sobre os EUA, a desconfiança supera (31%). Depois vem esperança (19%), segurança (12%), admiração (11%), medo (8%) e desprezo (7%). Quanto à União Europeia (UE), a palavra que mais se destaca entre todas é esperança (24%).
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Quando se considera apenas a opinião dos brasileiros, chama a atenção a desconfiança, palavra mais apontada para a China (21%) e os EUA (27%). O percentual para esperança (17%) é igual para os dois países.
No entanto, a admiração alcança 15% em referência à China pelos brasileiros e fica em apenas 9% em relação aos EUA. Ainda se ressalta o percentual que chega a 10% dos que desprezam os Estados Unidos.
Sobre a União Europeia, o percentual mais alto (32%) está entre os que não souberam ou não responderam, seguido por esperança (18%).
Outro ponto a ser destacado pela pesquisa é o alto percentual de latino-americanos que apontam a liderança global da China em ciência e educação (51%), inteligência artificial (61%) e desenvolvimento tecnológico (75%), em comparação com EUA e UE. Também se destaca a aproximação chinesa no quesito poder econômico, com 38%, enquanto os EUA detêm 42% dos apontamentos.