Paulo Nogueira comenta poema de Elizabeth Bishop em filme de Bruno Barreto
Economista relembra “One Art”, poema central de “Flores Raras”, e destaca como Bruno Barreto transformou a dor da perda em estrutura narrativa do filme
Publicado 10/05/2026 11:47
O economista e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do Brics), Paulo Nogueira Batista Jr., publicou um vídeo comentando o poema “One Art”, da poeta norte-americana Elizabeth Bishop, e a maneira como o cineasta Bruno Barreto utilizou o texto no filme Flores Raras.
No vídeo, Paulo Nogueira Batista Jr. afirma ter conhecido a obra de Bishop justamente por meio do filme de Barreto, inspirado na relação amorosa entre a poeta e a paisagista e urbanista brasileira Lota de Macedo Soares, uma das responsáveis pelo projeto do Aterro do Flamengo.
Segundo ele, o diretor teve um “lance de gênio” ao usar o poema “One Art” para abrir e encerrar o longa-metragem.
A análise recupera a trajetória retratada no filme: a chegada de Elizabeth Bishop ao Brasil, o relacionamento com Lota, a crise da relação e o impacto político e pessoal vivido pela arquiteta após o golpe militar de 1964, quando perdeu espaço profissional por sua ligação com o então governador Carlos Lacerda.
No relato de Paulo Nogueira Batista Jr., a combinação entre o desgaste amoroso e a pressão política levou Lota a uma profunda crise emocional, culminando em seu suicídio em Nova York.
Segundo ele, o recurso narrativo de Bruno Barreto ganha força porque o filme começa com Elizabeth Bishop lendo uma versão inacabada do poema e termina com a leitura da versão definitiva.
Para o economista, a poeta só conseguiu concluir plenamente “One Art” depois de experimentar uma perda “catastrófica, real”, transformando o poema sobre a arte de perder em uma obra marcada pela experiência concreta do luto.
Ao final do vídeo, Paulo Nogueira Batista Jr. lê trechos do poema em inglês e apresenta uma tradução livre para o português, destacando os versos finais da obra:
“Mesmo perder você, a voz alegre, um gesto que amo, não terei mentido. É evidente, a arte de perder não é tão difícil de aprender, embora pareça com… escreva: desastre”.
Para ele, o encontro entre a poesia de Elizabeth Bishop e a direção de Bruno Barreto resultou numa das construções mais emocionantes do cinema brasileiro recente.