Contra o anti-comunismo rasteiro

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No dia 1.º de setembro deste ano foi protocolado por um dos filhos da prole bolsonarinha, mais uma proposta legislativa visando a criminalização do comunismo. No caso, da sua apologia. Argumentos estafados, que nem o autor da proposta entende, de manipulação grosseira da História por encomenda (óbvia) de Bannon, o ex-conselheiro de Trump que, semanas atrás, foi preso por corrupção.

É o momento em que o fascismo se assume sem peias e sem vergonha (coisa que não é de estranhar na dita prole).

A existência de tal proposta não é, todavia, algo que possa ser negligenciado. Devemos manifestar firme oposição. O anticomunismo rasteiro caminha de braço dado com os ativistas mais refinados da ultra-direita. O golpe de 2016 – sim, o golpe que derrubou Dilma foi já o início de um resvalar para o fascismo – procura consumar-se nas suas verdadeiras intenções: acabar com quaisquer formas de atividade democrática no Brasil.

É tempo de recordar o célebre poema sobre a perseguição nazista aos comunistas, texto que se refaz em várias versões, de Bertold Brecht a Eduardo Alves Costa, com referência a Maiakovski. Fiquemos com a primeira versão da mensagem, o discurso proferido pelo pastor luterano Martin Niemöller em 1933:

Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, fiquei em silêncio;

Afinal, eu não era comunista.

Quando prenderam os social-democratas, fiquei calado;

Afinal, eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas, eu fiquei em silêncio,

Afinal, eu não era um sindicalista.

Quando eles vieram atrás de mim, não havia mais ninguém que pudesse protestar (1).

Recordar as palavras de Niemöller e sublinhar a sua condição de pastor luterano, ex-militar (capitão de submarino), talvez ajude àqueles que se colam ao anticomunismo por ignorância, distração ou simples medo de contestar a ideologia dominante, posicionar-se em relação às questões essenciais, participar do movimento social e político que resiste aos avanços do fascismo, promovendo a unidade na ação das forças políticas que, genuinamente, defendem os interesses do povo brasileiro.

  1. Versão do texto editada pela Fundação Martin Niemöller, segundo Berenbaum, Libowitz & Litelli, Remembering for the future, Paragon House (2015).
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