Desmatamento continua na Amazônia

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Fiscal do Ibama agredido na cidade de Uruará, no Pará

A grande mídia firmou o foco em outros temas e deixou este de lado, mas eu lamento informar que o desmatamento segue firme e forte na Amazônia brasileira. Na última terça-feira, dia 5 de maio, por exemplo, uma equipe de fiscalização do Ibama foi cercada e agredida no município de Uruará, no Sudoeste do Pará, durante operação de combate ao desmatamento ilegal.

Madeireiros, garimpeiros e grileiros estão com a corda toda, após diversas manifestações do presidente da República e de outros membros do governo federal em favor do desmatamento e contra ações de repressão. Em Uruará, seguindo a legislaçoao em vigor, a equipe do Ibama havia queimado três caminhões e dois tratores localizados em clareira no meio da mata, em área indígena.

A destruição de material apreendido pelo Ibama tem sido um ponto de crítica constante do governo federal. Na semana anterior, após uma megaoperação contra garimpo ilegal, que também envolveu destruição de maquinário, o chefes de fiscalização do Ibama e o major da PM Olivaldi Borges Azevedo, então chefe da Diretoria de Proteção Ambiental do órgão, foram exonerados por Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

Aos poucos, portanto, as estruturas do Ibama e de outros órgãos ligados à proteção ambiental estão sendo desmontadas, abrindo caminho aos criminosos que atuam principalmente na Amazônia. Pra todos os efeitos, as ações do Ibama são desautorizadas no âmbito do governo, o que significa sinal verde aos exploradores ilegais dos recursos naturais daquela região.

Nunca e demais lembrar que o desmatamento não significa apenas a derrubada de árvores. Significa a destruição de toda a mata, incluindo enorme quantidade de plantas medicinais e grande parcela ainda desconhecida da ciência. Junto, vai toda a fauna, que vai dos micro-organismos aos mamíferos de grande porte que vivem nas florestas que continuam sendo derrubadas.

Há, no Brasil, consciência de que é possível o uso (ou exploração) sustentável das áreas cobertas de florestas. M as isto está muito longe da grande maioria dos atuais exploradores dos recursos naturais da

região, que incluem garimpeiros, madeireiros e ruralistas, interessados apenas no lucro imediato, movidos pela ganância.

É certo que essa exploração predatória prejudica a imagem do país junto a organismos internacionais e entidades científicas e culturais. Em muitos casos, são espaços conquistados após anos de trabalho de convencimento de outros governos e gestores dessas agremiações, que estão sendo descartados pela falta de credibilidade do atual governo brasileiro.

De novo, contudo, os exploradores ilegais não estão nada interessados em relações internacionais, boa diplomacia ou interesses da nação. Eles querem saber apenas que, no momento, contam com total apoio do governo federal, que está retirando restrições impostas a áreas da Amazônia brasileira, consideradas de interesse ambiental ou de uso de povios indígenas e de outras populações tradicionais.

Veja a agressão ao fiscal do Ibama:

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