Presidente Lula avança e candidato de Donald Trump recua

Rompeu-se o empate técnico no segundo turno, com o candidato da extrema direita enroscado na corrupção do Master e na subserviência aos Estados Unidos

A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (10) mostra com nitidez os fatores que contribuíram para a tendência de crescimento da preferência dos eleitores pela candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de queda de Flavio Bolsonaro. A sondagem mostra que Lula lidera com 44% no 2º turno, contra 38% do candidato da extrema direita. Um crescimento fora da margem de erro. Levantamentos de outros institutos e agregadores de pesquisas confirmam essa inflexão.

Lula assume a liderança da disputa presidencial, com destaque para a migração que recebeu de eleitores/as classificados pela Quaest de “independentes”, abrindo, neste seguimento, 13 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro, passando de 29% em maio para 37% em junho, enquanto o candidato da extrema direita foi de 31% para 24%, uma queda de sete pontos.

Os percentuais gerais perdidos por Flávio Bolsonaro em parte foram para Lula. Outra parte se posicionou como indecisos, ou com intenção de anular o voto. Resultado: os candidatos da direita Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) auferiram irrisória pontuação, entre 3% e 2% das intenções de votos.

Caiado e Zema atuam, até aqui, como linha auxiliar do bolsonarismo, o que não os credencia como alternativa ao eleitorado da direita, além de serem desconhecidos pela maioria do eleitorado. Renan Santos se apresenta como variante do neofascismo, demarcando com Flávio Bolsonaro, o que o fez empatar com Zema e Caiado. Vale ressaltar que o eleitorado bolsonarista prossegue convicto no apoio ao seu candidato.

Outros dados relevantes são os índices de preferência pela candidatura de Lula entre as mulheres, os jovens e os idosos. Ele aparece com 41% das intenções de voto das mulheres, contra 24% de Flávio Bolsonaro. Entre os jovens, Lula conta com 36%, contra 30% de Flávio Bolsonaro. Pesquisas qualitativas da Quaest sugerem que o crescimento de Lula na juventude está se operando pela bandeira do fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho. Nos idosos, Lula aparece com 41% entre eleitores com 60 anos ou mais no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Dois outros dados também merecem destaque: Lula diminuiu a rejeição entre os evangélicos e melhorou a pontuação na estratégica região do Sudeste.

Os flagrantes do candidato da extrema direita com o áudio do pagamento de R$ 134 milhões pelo ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro a pretexto de financiar o filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse (O Azarão), são um importante fator para a sua queda. Os dados mostram que 65% reprovam a sua conduta, contra 17% que não veem indícios de ilícitos. O envolvimento do candidato com corrupção foi reforçado por 62%.

Esses números indicam a percepção da maioria dos/as brasileiros/as de que os sobrenomes Bolsonaro e Vorcaro estão definitivamente atados, laços inquebrantáveis ungidos por dezenas de milhões reais, fruto podre da corrupção. Aliás, uma relação bem caracterizada pelo candidato da extrema direita como de “irmãozão”.

Acossado pelo escândalo do Master, Flavio Bolsonaro foi buscar uma boia de salvação no presidente estadunidense Donald Trump, mas o que fez, segundo as pesquisas, foi amarrar uma âncora ao tornozelo de sua candidatura.

Sobre a comprometedora conversa com Trump, a pesquisa indica que 47% consideram que o candidato influenciou o presidente estadunidense na decisão de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “organizações terroristas”, contra 37%, com 60% apoiando a decisão, enquanto 53% afirmaram temer as consequências, com prejuízos para bancos e empresas brasileiras.

Sobre o novo tarifaço de Trump, a pesquisa indicou que 47% concordam com Lula quando ele diz que Flávio Bolsonaro pediu a medida, contra 35%. Para 47%, Lula representa melhor o espírito patriota brasileiro, contra 37% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa mostra que 46% concordam com a afirmação de Lula de que as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos são uma retaliação ao Pix, incluído em uma investigação comercial sob a alegação de que o sistema gratuito de pagamentos gera uma “concorrência desleal”.

Enquanto Flávio Bolsonaro cai pelo envolvimento em casos de corrupção e de traição à pátria, Lula cresce por seu mérito de governar com a defesa da soberania nacional de forma altiva e assertiva, vincando a convicção em largas camadas do povo de um presidente que defende o Brasil e proporciona mais direitos, repelindo os ataques de Trump e enfrentando a subserviência do clã Bolsonaro.

Começa a aparecer também a percepção popular sobre medidas como a isenção de Imposto de Renda para as camadas de baixa renda e para setores médios e o Desenrola 2.0, além da significativa vitória na Câmara dos Deputados com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho, razão pela qual a extrema direita e a direita estão bloqueando sua tramitação no Senado Federal. No âmbito dos direitos, é importante reduzir ao máximo ou zerar a fila dos pedidos de benefícios do INSS.

O presidente Lula, os partidos e a base social que o apoiam devem aproveitar esse que é melhor momento da pré-campanha para avançar no conjunto das exigências à construção da vitória. Antes de tudo, conter qualquer euforia que ofusque a consciência de que a disputa segue dura e acirrada.

A perspectiva de poder avivada cria maiores possibilidades para ampliar os apoios, alargar ao máximo a aliança e reforçar a composição dos palanques estaduais. Com criatividade, associar a Copa do Mundo com a pré-campanha, com a mobilização do povo, em especial sobre o fim da escala 6×1. Na esfera do governo, prosseguir com novas conquistas ao povo. Entre elas, sustentar o duro combate às organizações criminosas, persistir em garantir a paz e a segurança, em especial, às pessoas que vivem em territórios dominados pelas facções. E cuidar para que o programa de reeleição do presidente tenha um conteúdo avançado, apontando um futuro de forte soberania e mais democracia, desenvolvimento acelerado e prosperidade para o povo.