A taxa de mortalidade infantil voltou a subir depois de 26 anos em queda contínua no Brasil. Em 2016, foram 14 óbitos para cada mil nascidos vivos, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. Até então, o país registrava uma redução anual média de 4,9% desde o início dos anos 1990.
Pela primeira vez houve alta da mortalidade infantil no país desde 1990. Segundo o Ministério da Saúde, o crescimento foi de 4,8% em 2016, na comparação com o ano anterior. Na análise do médico sanitarista, professor universitário e ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, o novo dado está ligado às medidas promovidas pelo governo de Michel Temer.
A austeridade fiscal e a redução das políticas públicas levaram ao primeiro aumento da morte de crianças no Brasil em 2016 desde a década de 1990. Segundo o Ministério da Saúde, a epidemia do zika vírus, ampliada por conta dos cortes na saúde, e a crise causada por um cenário econômico com desemprego e político conturbado, foram os causadores desse aumento.
Os Estados Unidos assumiram a defesa dos produtores de leite artificial, que gastam milhões em campanhas políticas e lobby, na Assembleia Mundial da Saúde realizada, em Genebra.
O acordo anunciado pelo governo Temer para resolver a situação dos caminhoneiros não cola. O desgaste do presidente é tanto, que não existe confiança nas negociações. Se cumprido, o acordo terá um custo social que se refletirá diretamente na saúde das crianças pobres. É o que afirma Clemente Ganz Lúcio, diretor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Por Maria Carolina Trevisan*
De acordo com estudo publicado pela revista internacional Plos Medicine, a austeridade econômica em vigor no país poderá causar a morte de 20 mil crianças até 2030. Esse aumento está diretamente ligado ao corte de verbas para os programas sociais que vinham mostrando resultados positivos nos últimos anos, como o Bolsa Família.
Um enorme esforço do governo federal e da sociedade civil durante 15 anos para diminuir as taxas de mortalidade de bebês e crianças começa agora a ser desfeito, às custas do argumento do ajuste fiscal promovido pelo governo de Michel Temer. Depois de mais de uma década com quedas consecutivas, a taxa de mortalidade na infância (proporção de óbitos de menores de cinco anos para cada mil nascidos vivos) subiu 11% em 2016, em comparação com o ano anterior.
A austeridade econômica que vem sendo adotada no Brasil já mostra seu resultado e ele, além de ser negativo, expõe o retrocesso na área social. De acordo com dados consolidados pela Fundação Abrinq, a mortalidade infantil cresceu 11% entre 2015 e 2016. Este foi o primeiro aumento da mortalidade infantil após 13 anos consecutivos de queda.
Por Verônica Lugarini
Segundo estudo divulgado pela revista Health Affairs, chance de crianças norte-americanas de até um ano morrerem é 75% maior do que em outras nações ricas; Entre os países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os Estados Unidos foram a nação com maior risco de mortalidade infantil durante a primeira década do século 21
O Brasil reduziu sua taxa de mortalidade infantil em 90,2% nos últimos 74 anos e a expansão de programas sociais focados nas populações mais vulneráveis tem impacto direto nesse resultado. Segundo dados das Estatísticas do Registro Civil 2014, divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mortes de crianças com menos de um ano de idade no país passou de 146,6 óbitos por mil nascidos vivos para 14,4, de 1940 a 2014.
À frente de muitos países, o Brasil alcançou em 2011, com quatro anos de antecedência, a meta de redução da mortalidade na infância, o quarto dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), propostos pela ONU em 2000. A taxa passou de 53,7 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 17,7 óbitos por mil em 2011. A meta estabelecida para o país consiste em reduzir a mortalidade entre crianças menores de 5 anos a dois terços do nível de 1990.
Apesar do número de mortes de crianças com menos de cinco anos ter caído de 12,7 milhões por ano em 1990 para 5,9 milhões em 2015, desde 1990 até 2015 o mundo perdeu 236 milhões de vidas nesta faixa etária, mais do que toda a população brasileira. Entretanto, o Brasil é um dos poucos países que tem o que comemorar: reduziu 73% das mortes.