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Arianna Huffington: o blog revolucionou o jornalismo popular

As novas e velhas mídias podem entrar em choque e se excluir mutuamente. Mas, em seu novo livro — The Huffington Post Complete Guide to Blogging —, a célebre blogueira Arianna Huffington argumenta que os dois mundos estão se aproximando rapida

Publicado pela editora Simon & Schuster, o guia para blogueiros oferece dicas sobre como começar e como ser notado, além de opiniões da própria Ariana Huffington. Ela é ninguém menos que a criadora de um dos sites mais influentes da internet — o blog Huffington Post, ou HuffPo —, que ganhou destaque ainda maior durante a corrida à Casa Branca deste ano.


 


O HuffPo fez experimentos com jornalismo cidadão em seu setor “Off the Bus”, em que milhares de amadores escreveram relatos da campanha eleitoral. Um dos maiores momentos do HuffPo aconteceu quando um colaborador voluntário gravou o então candidato Barack Obama num evento de levantamento de fundos fechado à imprensa, dizendo que os moradores de cidades pequenas ficam amargos e “se agarram às armas ou à religião”.


 


Na introdução de seu livro, Huffington escreveu: “O blogging vem sendo o maior avanço no jornalismo popular desde Tom Paine”. (O panfleto Bom Senso, escrito por Paine em 1776, ajudou dramaticamente a promover a causa da independência americana.) O livro também tem seus momentos mais leves. Uma seção intitulada “Por que Você Escreve um Blog?” traz as respostas “para não parar no hospício” e “como substituto de uma terapia”.


 


Embora Arianna Huffington defenda a boa vontade em relação à velha mídia, ela toma partido em favor dos blogs. “A imensa maioria dos jornalistas da imprensa convencional segue na direção apontada pelos editores”, diz ela na introdução do livro. “Já os blogueiros saem armados com uma garantia de acesso muito mais eficaz do que uma credencial de imprensa da Casa Branca: a paixão.”


 


“Existe uma convergência real”, disse Huffington, em entrevista à Reuters, antes do lançamento de seu livro. “Basicamente, descobrimos que os materiais melhores e mais exatos sobem para o topo, quer se originem da revista Time ou do 538.com de Nate Silver, que não existia antes da eleição”. O site 538.com colheu e analisou dados políticos e relativos às pesquisas de intenção de voto.


 


“A convergência vai continuar a crescer — como vimos neste período eleitoral — dentro de dois ou quatro anos, estou certa”, acrescentou. “Os dois tipos de mídia têm que dividir o poder.” O livro de Huffington alardeia a instantaneidade e a transparência dos blogs, quando comparado à mídia tradicional. Menciona alguns dos problemas que os blogs têm com padrões de reportagem e fraqueza de suas fontes.


 


As menções, no entanto, são apenas por alto — já que o livro se concentra, em vez disso, nos benefícios pessoais e políticos garantidos pela presença de uma multidão de vozes online. Segundo Huffington , as novas mídias não podem substituir as velhas por inteiro, nem dar os mesmos resultados que o jornalismo investigativo de valor comprovado ao longo do tempo.


 


A escritora e roteirista Nora Ephron, uma de várias colaboradoras do HuffPo, descreve no guia como descobriu a diferença entre escrever num blog e escrever para revistas ou livros. “Uma das razões de se escrever num blog é iniciar a conversa e criar a comunidade que se reúne para falar brevemente sobre coisas que talvez não falaria se você não escrevesse seu blog”, escreveu Ephron.


 


Mas o mais importante, segundo a roteirista, é que “fazer um blog permite que qualquer pessoa tenha voz, mesmo sem ter acesso à Reuters ou à revista Time, e é isso que é realmente significativo.” Na opinião de Nora Ephron, “as novas mídias vão continuar a dar voz às pessoas que de outro modo não teriam voz, e isso é algo que não vai desaparecer.”


 


Da Redação, com informações da Reuters