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Fidel: “População tem direito a saber mais sobre a crise”

O líder da revolução cubana e ex-presidente, Fidel Castro, destacou, mais uma vez, em novo artigo, a importância da China para a economia mundial. Em mais uma crítica aos veículos de comunicação internacionais, ele afirmou que a opinião pública tem o d

''A opinião pública mundial tem o dever e o direito de saber mais sobre os problemas econômicos de uma crise que atinge hoje todos os povos do mundo'', afirmou Fidel, no texto da série ''Reflexões'', intitulado ''A China nos veículos de comunicação internacionais''.

O artigo foi divulgado ontem à noite no site oficial www.cubadebate.cu. Ao falar da China, Fidel e lembrou que o país ''é o principal credor dos Estados Unidos'', com US$ 740 bilhões em bônus do Tesouro americano.

O líder cubano ressaltou que, ao tratarem de seu artigo anterior – ''China, a futura grande potência econômica'' -, a maioria dos veículos de comunicação internacionais informaram somente  sobre suas críticas às declarações de (Joseph) Biden, em Viña del Mar – nas quais o vice-presidente americano afirmou que os Estados Unidos não levantarão o embargo a Cuba – e desprezaram seus comentários sobre China, que seriam a parte mais importante do texto.

Leia abaixo a íntegra do artigo de Fidel

Reflexões do companheiro Fidel

A China e os veículos de comunicação internacionais

Da reflexão publicada publicada em nossa imprensa, na segunda-feira, 30, intitulada: ''China, a futura grande potência'', a maioria das notícias internacionais informaram somente o que se referia a minhas críticas às declarações de Biden, em Viña del Mar. Apenas EFE dedicou umas linhas, ao final do seu despacho, ao tema principal do artigo. Reconhecer o crescente papel da China na economia mundial é um trago amargo para o Ocidente.

A grande imprensa, todavia, segue falando do pujante poder econômico da China. No dia 29 passado, a agência de otícias DPA expressava que ''A China pegou os Estados Unidos de surpresa com sua ousada proposta de substituir o dólar como principal divisa internacional por uma nova 'supermoeda'''.

A continuação informa que a China luta contra o poder dominante dos Estados Unidos no sistema financeiro mundial e ecoa as opiniões do Banco Central chinês, que considera a crise e o seu impacto em todo o mundo um reflexo da fraqueza interna e dos riscos inerentes ao sistema monetário internacional que seu país deseja mudar, com a nova moeda de reserva. Alude, a favor de sua tese, que o famoso economista britânico, John Mayanard, já havia proposto, nos anos 40, uma moeda global.

Assinala na mesma notícia que ''A China aspira obter um posto de Diretor no FMI, um organizmo até agora dominado pelos Estados Unidos e que, segundo previsões do G-20, deve assumir os sistemas financeiros nacionais''.

''Como o maior dos países emergentes, a China exige mais influência para os Estados pobres, especialmente golpeados pela crise''.

Reitera, em sua argumentação, o conhecido fato de que a China, com um montante de 740 bilhões de dólares em títulos do Tesouro Norte-Americano, é o principal credor dos Estados Unidos.

Não se pode esquecer que a Alemanha, sede do escritório central da DPA, está preocupada com o ruinoso papel que a política econômica dos Estados Unidos exerce sobre a Europa. A Alemanha é, na atualidade, o país industrializado que exporta o mais alto percentual de seu Produto Interno Bruto. A crise econômica lhe afeta mais que a nenhum outro.

A opinião pública mundial tem o dever e o direito de conhecer mais sobre os problemas econômicos de uma crise que golpeia hoje todos os povos do mundo.

Fidel Castro Ruz

30 de março de 2009