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Dilma reage à 'Folha': 'Não pode falar em ditabranda, viu?'

A Operação 2010 já começou. Neste domingo, tivemos mais um capítulo, na Folha. A quem serve a manchete que o jornal pôs hoje (ontem) em sua primeira página? ''Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto'', diz o jornal da famíli

Vejam: trata-se de uma afirmação. O jornal não atribui a informação, no título, a ninguém. Afirma. E ponto. No texto da primeira página, e na matéria interna, há a negativa de Dilma. Mas, a manchete está aí: prontinha pra ser usada no programa eleitoral em 2010.


 


Outro dia, eu disse aqui que as aparições seguidas de FHC na mídia, nas últimas semanas, tinham um sentido claro: o PSDB sabe que o ex-presidente será associado a Serra na campanha do ano que vem; sabe que FHC é impopular; sabe que ele é um peso difícil de carregar. Então, o mais inteligente não é escondê-lo (como fez Alckmin em 2006), mas “trabalhar” desde já para criar uma imagem melhor para FHC. A mídia amiga está aí pra isso mesmo.


 


A matéria sobre Dilma na Folha segue a mesma lógica. Trata-se de constranger Dilma, e gerar material pro horário político. Serra sabe que não poderá atacar Lula (o presidente seguirá popular até 2010). O negócio é desconstruir Dilma. Colar nela a imagem de ''guerrilheira''.


 


Não acho difícil que, nesta segunda-feira, a “reportagem” esteja na tela da Globo. Podem esperar!


 


Ah, dirão alguns: a Folha fez só o seu trabalho. Expôs fatos. Trouxe de volta a ''memória da ditadura''. Esse é o ''chapéu'' (pequeno título) que aparece acima da matéria, nas páginas internas da Folha.


 


Louvo o objetivo do jornal. A Folha quer vasculhar a ''memória da ditadura''? Ótimo! Mas, queremos memórias completas. Não pedaços de dossiês, vazados sob interesse eleitoral. Queremos memórias completas também sobre a atuação de empresários como Octavio Frias no apoio a torturadores aqui no Brasil. Material e testemunhas não faltam.


 


Mas, voltando à “reportagem” sobre Dilma: por que começar a relembrar a ''memória da ditadura'' justamente com a candidata que aparece em segundo (ou terceiro) lugar nas pesquisas?


 


Serra também teve militância durante a ditadura. Por que os leitores não foram brindados com a ficha dele no Deops? Ele será submetido a perguntas constrangedoras — como a que fez a repórter à ministra Dilma? A jornalista chega a perguntar sobre pessoas que Dilma (sob tortura) teria ''entregue'' aos algozes.


 


Quero ver se a Folha tem coragem de perguntar a Serra por que ele fugiu do Brasil depois do golpe de 64? Era liderança estudantil, e escafedeu-se, fugiu. Agiu bem?


 


Em 2002, Serra ajudou a desconstruir Roseana Sarney (lembram-se do caso Lunus? Sarney pai até hoje não perdoa Serra — atribui a ele a operação policial que inviabilizou a candidatura da filha). Também ajudou a torpedear Ciro.


 


Tudo isso contando com a imprensa amiga.


 


Na campanha de 2006, quando Serra ainda disputava a indicação com Alckmin, dentro do PSDB, uma reportagem da revista Época trouxe detalhes sobre o envolvimento de Alckmin com a organização católica Opus Dei. Nos bastidores da política paulista, atribui-se a reportagem ao ''esquema de inteligência'' serrista.


 


Dessa vez, o alvo é Dilma. A ministra reagiu à repórter e ao jornal. Dilma não é besta. Sabe o que se arma contra ela. Gostei de uma das respostas que ela deu à repórter. ''Minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não. Você não sabe o que é a quantidade de secreção que sai de um ser humano quando ele apanha e é torturado (…) Não dá pra chamar de ditabranda, não.''


 


A moça da Folha também perguntou se Dilma faz “mea culpa” por ter feito guerrilha. 


 


A Folha quer “mea culpa” dos outros. E o “mea culpa” do jornal sobre seu apoio a torturadores?


 


Cidadão Boilesen ganhou prêmio de “melhor filme no festival É Tudo Verdade. Agora, falta um outro filme: Cidadão Frias.


 


Material não falta.


 


Dilma foi constrangida pelo jornal. Ao menos, teve a dignidade de tratar do assunto (inclusive das torturas que sofreu). E o jornal? Vai tratar de seu passado?


 


Humildemente, disponho-me a ajudar…


 


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