Para Brasil, negociações sobre Irã evoluem
As negociações para um eventual acordo que encerre o impasse envolvendo o Irã e as grandes potências evoluem. A conclusão é do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, depois de se reunir nesta segunda (27) com o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, em Nova York. Atualmente Davutoglu é o presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Publicado 28/09/2010 14:46
Segundo Amorim, há uma visão comum de que as perspectivas sobre o Irã sejam positivas. “[Davutoglu] é meu companheiro de várias empreitadas”, disse. “Acho que é uma visão comum, estamos vendo uma evolução [no caso da retomada das negociações com o Irã. Há uma perspectiva de encontro [do Irã com os países que integram o chamado P5+1 – composto pelos Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia, China e Alemanha]”, disse.
Amorim lembrou que houve sinalizações do P5+1 de que a retomada das negociações pode partir da revisão do acordo sobre a troca de urânio levemente enriquecido pelo produto enriquecido a 20%. O Brasil e a Turquia mediaram o acordo em maio em Teerã. O Irã e os países do P5+1 devem se reunir no próximo mês para reiniciar as conversas em busca de uma solução para o impasse em torno do programa nuclear iraniano. Não há data definida para este encontro.
No próprio comunicado, os países do P5+1 eles [os países que integram o grupo] afirmam que estão buscando um acordo revisto de troca de urânio, afirmou o chanceler brasileiro. “Nós não vamos cobrar copyright [direito autoral, em inglês]”, disse ele, referindo-se ao fato de Brasil e Turquia terem negociado o acordo anterior, que foi rejeitado pela comunidade internacional.
Amorim encerra nesta terça (28) a participação nas discussões da 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Desde a semana passada, o ministro participou de uma série de reuniões em que defendeu as posições brasileiras sobre política externa. O chanceler apelou para o fim da xenofobia e do preconceito em relação ao Irã e condenou as sanções impostas aos iranianos.
O Irã está submetido, desde junho, a sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). As restrições atingem, sobretudo, as áreas comercial e militar do Irã. Unilateralmente houve mais decisões de sanções ao Irã definidas pelos Estados Unidos, pela União Europeia, pelo Canadá, pela Austrália e pelo Japão.
Fonte: Agência Brasil