Espanha: bancos precisam de 60 bilhões de euros, diz ministro

A necessidade de capital dos bancos espanhóis calculada pela consultoria Oliver Wyman é de cerca de 60 bilhões de euros, em linha com a primeira auditoria feita em junho, disse neste sábado (22) o ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos.

A cifra está longe dos 100 bilhões de euros oferecidos por uma linha de crédito europeia para recapitalizar o sistema financeiro espanhol, uma ajuda que o ministro disse destinar-se estritamente às necessidades bancárias.

Quanto a um possível pedido de resgate pela Espanha a seus parceiros europeus, ele insistiu que o governo vai agir "sem pressa", dizendo que apesar da situação difícil, a economia espanhola não havia registrado "deterioração significativa" no terceiro trimestre em comparação com o anterior.

É a primeira vez que o governo espanhol quantifica resultados de um teste de estresse que será anunciado na próxima sexta-feira. Os resultados destes testes em 14 principais bancos espanhóis vão servir de referência para se verificar quais instituições financeiras necessitam de dinheiro europeu e quanto.

De Guindos disse que esses recursos serão de uso estritamente dos bancos e que não haverá excedentes, descartando que o governo espanhol possa vir a usar o dinheiro para estabilizar a economia.

Sobre a especulação persistente de negociações entre Madrid e Bruxelas de um resgate soberano, o ministro espanhol recordou a declaração dada na sexta-feira pelo ministro das Finanças da Alemanha de que a Espanha não precisa de um resgate, e reiterou o compromisso do governo espanhol em reduzir o deficit público e reformar sua economia.

"Estamos a tratar disso, essa é a prioridade. Isto não é sobre o resgate de Espanha, em última análise é o futuro do projeto do euro, é um projecto para todos. A Espanha vai fazer tudo o que tem que fazer, sem pressa", disse.

Sobre a evolução da economia espanhola, cujo produto interno bruto caiu 0,4% no segundo trimestre em comparação com uma contração de 0,3% no trimestre anterior, De Guindos disse que o número do terceiro trimestre "não foi significativamente pior do que o do segundo trimestre."

Fonte: Uol