Tensões aumentam na Península Coreana com ações dos EUA 

O Pentágono (Departamento de Defesa dos EUA) enviou neste domingo (31) aviões de combate para a Base Aérea de Osan, a principal da Força Aérea estadunidense na Coreia do Sul. Além disso, também foi anunciado um aumento considerável das manobras militares conjuntas na Península Coreana, o que provoca uma grave escalada das tensões na região.
 

Aviões de combate F22 dos EUA

Pyongyang considera estas ações uma ameaça à segurança da República Popular Democrática da Coreia (ou Coreia do Norte), e se declarou “em estado de guerra” contra Seul e Washington.

Os EUA enviaram aviões de combate F-22 Raptor à Coreia do Sul para participar nos exercícios militares conjuntos realizados entre ambos os países, em meio a crescentes tensões na península coreana. Pyongyang considera estas manobras ameaças contra a segurança e a soberania da Coreia Popular.

O comando militar do Pentágono em Seul informou em um comunicado que os aviões (carregados com um sistema para evadir radares e com sistemas de defesa aérea) foram deslocados para a Base Aérea de Osan como parte do compromisso de Washington para “defender Seul contra as ameaças militares norte-coreanas”.

Segundo o comunicado, a Coreia do Norte “não logrará nada com ameaças e provocações, que só a isolarão prejudicarão os esforços internacionais para assegurar a paz e a estabilidade no nordeste da Ásia”.

O envio das aeronaves foi feito um dia após o anúncio de “estado de guerra” de Pyongyang com a Coreia do Sul.

O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, assegurou que “a partir de agora as relações Norte-Sul entram em um estado de guerra e todas as questões propostas entre o Norte e o Sul se trataram em consonância".

Pyongyang também advertiu que se Washington e Seul lançarem um “ataque preventivo”, como têm ameaçado fazer nas últimas semanas, “o conflito não se limitará a uma guerra local, pois se desencadeará uma guerra total, uma guerra nuclear".

A presença de um grande contingente militar estadunidense na Península da Coreia e a realização de exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul foram percebidas pela Coreia Popular como uma ameaça clara contra a sua soberania. Os EUA apoiam a Coreia do Sul em suas declarações belicistas contra o Norte e têm contingentes em várias ilhas da região, como no Japão e outras do Pacífico.

Pyongyang critica por exemplo o uso de bombardeiros estratégicos B-52 (navios de guerra) e submarinos nucleares nas manobras militares conjuntas que os EUA e a Coreia do Sul realizam na região, como uma demonstração de poder.

A tensão também aumentou quando o Conselho de Segurança da ONU aprovou novas sanções contra a Coreia Popular, ainda em fevereiro, em resposta ao terceiro teste nuclear realizado por Pyongyang.

Declarações de paz

A União de Nações Sul-americanas (Unasul) manifestou neste domingo sua mais séria preocupação pelo conflito que parece iminente, e formulou uma petição urgente a todas as partes envolvidas para que assegurem “a preservação da paz e da segurança na Península Coreana”.

Mediante um comunicado oficial difundido pela chancelaria do Peru, o Conselho Diretivo do bloco afirmou recordar “a obrigação internacional dos Estados de abster-se do uso da ameaça ou do uso da força e exorta a todas as partes a cessar atitudes e manifestações belicistas”.

O comunicado expõe que o fiel cumprimento do mandato internacional permitirá criar as condições necessárias para a retomada das negociações relativas à paz, à segurança e ao desenvolvimento social entre as duas nações vizinhas. Para isso, a Unasul expressou a sua disposição a colaborar nos esforços internacionais dirigidos à resolução pacífica do conflito e qualquer outro meio que evite uma guerra.

Em 11 de março, Seul e Washington iniciaram uma semana de manobras militares conjuntas, perto da Península da Coreia, apesar das advertências de Pyongyang. Nos exercícios participam 10 mil soldados sul-coreanos e cerca de três mil estadunidenses, e a realização de outros exercícios ainda neste ano já foi acordada.

Pyongyang já manifestou reiteradas vezes o direito da Coreia Popular à autodefesa e a exigência de retirada das forças militares dos EUA, mais um instrumento imperialista de intervenção e desestabilização belicista. A atuação estadunidense tanto na região quanto nos fóruns internacionais tem sido provocativa e fator de escalada das tensões.

Com TeleSur,
da Redação do Vermelho