Com Bolsonaro na Presidência, cresce a rejeição à ditadura militar

É provável que o presidente tenha transferido ao regime militar parte de sua rejeição pessoal. Nunca tantos brasileiros rechaçaram os governos dos generais-ditadores.

Passados 34 anos do fim do regime militar (1964-1985), cresce a rejeição ao legado da criminosa ditadura brasileira. É o que aponta pesquisa Datafolha realizada em dezembro e publicada nesta quarta-feira (1º/1) na Folha de S.Paulo. Conforme o levantamento, nem mesmo a ascensão à Presidência do ultradireitista Jair Bolsonaro – notório defensor do Golpe de 64 – ajudou a melhorar a imagem do período mais sombrio e autoritário na História do Brasil.

Hoje, 59% dos brasileiros – ou três a cada cinco entrevistados – afirmam que a ditadura deixou mais realizações negativas do que positivas. Essa percepção crítica se amplia a cada pesquisa – era de 46% em 2014 e de 51% em 2018. É provável, portanto, que Bolsonaro tenha transferido ao regime militar parte de sua rejeição pessoal. Nunca tantos brasileiros rechaçaram os governos dos generais-ditadores Castello Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.

Já o percentual de pessoas que avaliam positivamente a ditadura caiu, em um ano, de 32% para 30%. Nesse mesmo período, segundo o Datafolha, o índice de brasileiros que não sabiam ou não tinha opinião sobre o tema foi de 17% para 12%.

De modo geral, quando perguntados se preferem uma democracia ou uma ditadura para o País, a tendência muda ligeiramente. Os mais “democratas” correspondem a 62% dos brasileiros, contra 12% pró-ditadura e 22% de indiferentes. Em 2018, essas faixas estavam, respectivamente, em 69%, 12% e 13%.

Vale notar que, apesar do apoio um pouco menor à democracia, o percentual de defensores da ditadura não se alterou, permanecendo no patamar de 12%. O Datafolha ouviu 2.948 pessoas, em 176 municípios de todas as regiões do País, entre 5 e 6 de dezembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais.

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