Bolsonaro transformou Brasil em “pária ambiental”, diz Marina Silva

Para ex-ministra, governo nomeou o “primeiro ministro do Meio Ambiente que é antiambientalista”,

Cortes nos investimentos e na fiscalização do meio ambiente, impunidade para crimes ambientais como o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, incentivo a grilagem, queimadas na Amazônia, vazamento de petróleo no litoral do Nordeste, prisões ilegais de ativistas. Em um ano sob o governo Jair Bolsonaro, o Brasil passou de porta-voz de boas práticas na área para a inédita condição de “pária ambiental”.

A opinião é de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula (2002-2009) e três vezes candidata à Presidência da República (2010, 2014 e 2018). Marina – ganhadora do prêmio Campeões da Terra de 2007, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU) – tem denunciado cada vez mais os retrocessos na área ambiental e o descaso do governo.

O Ministério do Meio Ambiente não foi incorporado à pasta da Agricultura como desejou Bolsonaro em um primeiro momento. Nem foi preciso. Ao longo de 2019 – o primeiro ano bolsonarista –, a pasta teve suas diretrizes alinhadas aos interesses de grileiros, garimpeiros ilegais e manda-chuvas do agronegócio.

No comando geral da pasta, está o “primeiro ministro do Meio Ambiente que é antiambientalista”, afirma Marina. Uma estatística evidencia a tragédia: os índices de desmatamento da Amazônia dispararam 29,5%, segundo o Deter.

Para Marina, não há tendência de melhora na política ambiental. “Começaremos 2020 com uma medida provisória (MP 910, a ‘MP da Regularização Fundiária’) que transformará grileiros em proprietários rurais. Hoje, premia-se a corrupção e o roubo de terras públicas na Amazônia com finalidade eleitoral. É, também, uma forma de se perpetuar no poder e incitar a violência.”

Assim, ex-ministra não crê que o governo possa realizar as medidas necessárias para se romper um ciclo de destruição no âmbito nacional e internacional. Para ela, a esperança ainda reside pela atuação da sociedade civil e da comunidade científica, que disputam as narrativas do negacionismo institucionalizado do governo Bolsonaro.

Na opinião de Marina, não é verdade que agronegócio e preservação ambiental sejam incompatíveis. Entre 2004 e 2012, por exemplo, o desmatamento caiu 83%, enquanto o agronegócio continuava crescendo.

“Quando fui ministra, representantes do agronegócio contestaram o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da mesma forma como ocorreu em 2019, no caso dos dados sobre as queimadas na Amazônia. A diferença é que defendi o Inpe, enquanto Bolsonaro o entregou às feras”, diz Marina. “A agressão a órgãos que trabalham com o meio ambiente culmina em tragédias como o óleo nas praias do Nordeste e o rompimento da barragem em Brumadinho.”

Sobre a mistura de política com religião presente no governo, Marina – que é evangélica – voltou a criticar Bolsonaro. “O presidente tem direito de ter sua religião, mas o Estado é laico”, afirma. “O governo não pode impor a sua fé à sociedade. Fui candidata e jamais fiz isso. O problema é a instrumentalização da fé pela política e da política pela fé.”

Com informações da CartaCapital e do Globo

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