Servidores federais reagem a Bolsonaro e planejam greve geral em março

Como parte de mobilização para nova campanha salarial, lideranças sindicais das carreiras do funcionalismo já preveem greve no dia 18 de março

Uma paralisação geral pode ser a resposta dos servidores federais aos ataques do governo Jair Bolsonaro. Como parte de mobilização para nova campanha salarial, lideranças sindicais das carreiras do funcionalismo já preveem greve no dia 18 de março. Este foi um dos temas discutidos em reunião do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), na terça-feira (7).

O fórum reúne tanto os sindicatos das carreiras de elite do funcionalismo (que incluem auditores da Receita e servidores do Banco Central) quanto o chamado “carreirão” (como são chamadas as carreiras de nível técnico). Na ata da reunião, lideranças dessas entidades incluíram na agenda de mobilização o início de debate sobre uma “radicalização” para se contrapor aos “ataques dos governos ao funcionalismo público”. A entidade indicou 18 de março como dia para uma eventual paralisação.

Eles discutiram também uma estratégia “combo” de articulação: propostas que combinem a reivindicação por pautas específicas como também uma mobilização contra as “políticas neoliberais” do governo Jair Bolsonaro. Nova reunião foi marcada para a próxima quarta-feira (15).

Segundo o presidente do Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, avanços nas negociações salariais vão depender de uma alternativa ao teto de gasto – que limita a ampliação de investimentos em áreas sociais. Rudinei afirmou que o crescimento vegetativo da folha é em torno de 3% ao ano, o que restringe o espaço do teto.

Porém, com o contraditório aceno positivo de Bolsonaro à concessão de reajustes para policiais do Distrito Federal – cujos salários são bancados com dinheiro da União –, outras categorias do funcionalismo federal elevaram a pressão por aumentos na sua remuneração. Cerca de 80% das categorias dos servidores optaram, no passado, por um reajuste de dois anos em dois anos – mas agora estão há quatro anos sem nenhum aumento.

De acordo com Rudinei, os servidores também lutam contra a proposta do governo de corte de até 25% da jornada de trabalho e dos salários. A medida consta no conjunto de reformas fiscais enviado ao Congresso no final do ano passado. Na visão do sindicalista, a medida não seria factível. É que, no serviço público federal, 120 mil servidores podem ser aposentar, mas receber um incentivo – o abono de permanência – para permanecer no cargo. Se a redução proporcional da jornada e dos salários for aprovada, o incentivo deixa de ser vantajoso e induz a aposentadoria desses servidores.

“A nossa mobilização nunca se encerrou, já que o governo não cumpriu o acordo”, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), Kleber Cabral. Foi uma referência à regulamentação do bônus de eficiência (incentivo financeiro dado ao cumprimento de metas de arrecadação), impasse que ainda não foi resolvido.

Com informações do Estadão

Um comentario para "Servidores federais reagem a Bolsonaro e planejam greve geral em março"

  1. claudio coutinho disse:

    Recursos financeiros para reajustes para militares e poder judiciário tem sobrando.
    Os servidores do Executivo estão sendo massacrados por este Governo que se apóia os militares para se manter no Poder.
    Tem mais é que ir para a luta pois estamos sofrendo desde que esse Governo assumiu.
    Com esse Governo não tem mais concurso público, não tem mais ensino público,não tem mais saúde pública. Está vendendo tudo o que é público. Coitados dos servidores que estão pagando a conta.
    Se não lutar vamos ficar amargando 4 anos.

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