Documentário sobre movimentos populares faz financiamento coletivo

Em fase de finalização, projeto Que Povo É Esse? aderiu ao expediente do crowdfunding para arrecadar R$ 90 mil

“Uma história dos movimentos populares e do povo que luta pelo direito à moradia.” Assim é apresentado o documentário Que Povo É Esse?, de Jonathan Constantino. O projeto, em fase de finalização, aderiu ao expediente do crowdfunding (financiamento coletivo) para arrecadar R$ 90 mil – verba que custearia sua conclusão. As doações podem ser feitas na plataforma do Catarse.

Que Povo É Esse? existe para ouvir as falas do cotidiano de brasileiras e brasileiros que vivem em diferentes formas de ocupação de moradia, na Região Metropolitana de São Paulo. Pessoas que ao se verem obrigados a escolher entre o aluguel, o transporte ou a alimentação, sua e da família, tem que eliminar um dos três para sobreviver”, explica a página do projeto no Catarse.

Segundo o resumo, “o filme dialoga com os atuais movimentos urbanos que organizam as lutas dos trabalhadores por moradia digna e serviços públicos de qualidade, buscando compreender sua história, suas práticas e sua visão de sociedade”. A produção do documentário começou há dois anos, “de forma independente”, a partir de “conversas preparatórias no Ateliê XXII” e das “primeiras gravações” no acampamento Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo (SP).

Conforme os produtores, “problemas técnicos e financeiros” inviabilizaram a estreia do filme, prevista para maio passado. “Desde janeiro de 2019, temos nos dedicado a concluir as gravações que faltavam e dar andamento ao seu processo de conclusão (…). Neste momento, estamos na etapa de finalização do filme, um momento decisivo para garantir a qualidade do documentário”. O material deve passar ainda pelas etapas de montagem, tratamentos de som e cor, trilha sonora e mixagem.

O filme pretende, conforme o projeto, “olhar a trajetória do País a partir do ponto de vista de quem não aceita como natural a ordem que obriga milhões de famílias brasileiras a uma vida de condições sub-humanas, sem um teto adequado sob o qual descansar, sem água potável e sem energia elétrica, no final da segunda década do século 21 – aliás, todos direitos previstos na Constituição Federal de 1988”.

O documentário tem cenas exclusivas de acontecimentos como o incêndio e o desabamento do edifício Torre de Vidro, no centro de São Paulo, em 1º de maio de 2018. “Famílias e movimentos foram culpabilizados e criminalizados. Processo que, recentemente, culminou com a prisão de lideranças desses movimentos”, denuncia o filme.

O documentário desmascara “a conformação da cidade que, apesar da aparência não planejada e do crescimento desordenado, é na verdade a fotografia de conflitos de interesses de classe que tem raízes na história patriarcal e escravista do Brasil. É condição resultante, dentre outras coisas, da concentração e da especulação imobiliárias – no caso paulistano, 1% dos proprietários detém 45% do valor imobiliário do município”.

Ao entrevistar urbanistas e lideranças populares, o documentário agrega “uma visão popular a essa narrativa que, de um modo geral, é contada pelos que dominam o capital e lucram com o território urbano. Existe para registrar a memória desses movimentos e lutas, do que foram e são, sua coragem, suas derrotas e vitórias, suas tristezas e desafios, sua solidariedade e espírito coletivo. Uma tentativa de saber mais Que Povo é Esse?.”

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