Ministro quer apresentar plano de saída da quarentena em uma semana

Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem 45.757 casos confirmados e 2.906 mortes por coronavírus. No entanto, especialistas apontam problema da subnotificação.

O ministro da Saúde, Nelson Teich - Foto: Marcelo Casal Jr./ABr

Após uma semana desaparecido, o ministro da Saúde, Nelson Teich, participou nesta quarta-feira (22) de entrevista coletiva no Palácio do Planalto com outros membros do governo e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que quer reabrir escolas cívico-militares sob a batuta de Jair Bolsonaro. Teich afirmou que em uma semana apresentará diretrizes para relaxamento do isolamento social.

“A gente já tem uma matriz pronta. Daqui a uma semana, entrega a diretriz completa. O Brasil é absolutamente gigante e heterogêneo, não tem como diretriz não ser customizada para diferentes partes do país”, declarou.

Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem 45.757 casos confirmados e 2.906 mortes por coronavírus. São 2.678 novos casos e 165 óbitos em 24 horas. A taxa de mortalidade do vírus está em 6,4%.

No entanto, diversos especialistas apontam o problema da subnotificação da doença, inclusive com pacientes sendo enterrados sem serem testados. Manaus, onde já há corpos enterrados em vala comum no cemitério, é um caso emblemático.

Segundo o prefeito da cidade, Arthur Virgílio Neto (PSDB), a média diária de enterros aumentou de 30 para 122. Ele afirmou ainda que, de 106 sepultamentos na segunda-feira (20), 36 foram de mortes que ocorreram em casa. A contagem oficial de mortes no estado do Amazonas, no entanto, não passa de 207 segundo números atualizados nesta quarta-feira.

Questionado sobre qual seria a política do governo para localidades onde a capacidade do sistema de saúde está esgotada, como Manaus, Teich respondeu que o governo federal “vai buscar essa informação para, em cada região do país, fazer o que é adequado para aquela região”.

“[Com] o monitoramento contínuo você vai ter indicadores, o que é importante em uma doença instável como essa, que a gente conhece pouco, você não consegue prever o que vai acontecer. Tem que ser rápido o bastante para fazer um diagnóstico e tomar uma atitude. Realmente, a ideia é testar”, afirmou.

Teich e Ibaneis Rocha também foram questionados sobre o plano de reabertura das escolas no Distrito Federal. O projeto do governador do DF e de Bolsonaro enfrenta forte resistência de médicos, pais e professores.

Ibaneis recuou e negou que a reabertura será a partir da próxima segunda-feira (27), como queria Jair Bolsonaro. “Nós falamos apenas que iríamos estudar. Deve se iniciar exatamente pelo ensino médio”.

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