Brasil, maio de 2020. É preciso pará-lo

Temos uma tempestade perfeita.

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

“Entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra, e terás a guerra”. Winston Churchil.

“Careca”, “moleque”, “arrombado” e “idiota” foram os adjetivos utilizados pelos “fuzileiros” bolsonaristas para caracterizar o ministro Alexandre de Moraes. O inquérito conduzido por ele atingiu o coração da blitzkrieg.

Bolsonaro chegou ao poder importando uma nova tática de guerra. Ela já havia sido testada com sucesso no Brexit. Em termos de segurança digital, o Brasil é uma piada. Viramos um case para o fascismo mundial.

O inquérito das fake news chegou ao núcleo do esquema de financiamento e disseminação de mensagens criminosas. Têm ciência no jogo. Psicometria e algoritmos movidos por inteligência artificial fazem cada pessoa receber uma mensagem única.

É a era da customização da comunicação de massa. Um mecanismo que permite estuprar processos democráticos e está desestabilizando democracias pelo planeta.

O ministro Luís Roberto Barroso assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleital (TSE) e já disse que pautará o processo que pede a cassação da chapa. Alexandre levanta a bola e Barroso corta. Sentindo que a guilhotina pode cortar seu pescoço também, Mourão atacou o Supremo Tribunal Federal (STF).

Tudo indica que estamos próximos de um impasse estratégico. Após tantos xingamentos e ameaças, foi estranho ninguém amanhecer preso. O STF irá recuar? Depois do passo dado, seria um grave sinal de debilidade, uma carta branca para as hordas fascistas.

Estamos no momento em que todos estão contando as garrafas. Bolsonaro possui ou não apoio das Forças Armadas para um rompimento institucional? Tem base real nas forças militares estaduais? De onde viria a reação? Seria um rompimento “tradicional”?

Eduardo Bolsonaro declarou que a questão é “quando” e não “se” eles darão o autogolpe. O STF deu um xeque-mate. Agora é quebrar ou ser quebrado. O Capitão será derrotado? Acabará afastado e preso?

Temos uma tempestade perfeita.  Mortes escalando, desemprego nas alturas, medo, desesperança e as instituições em frangalhos, trocando tapas em praça pública.

A Rússia de 1917, envolta em mortes, fome e desintegração do governo deu a vitória aos bolcheviques, mas poderia ter conduzido ao poder um governo conservador liderado pelo general Kornilov.

O mundo vai se meter? A China deixará de negociar com o país? Putin invadiu e anexou a Crimeia, repetindo Catarina, “A Grande”. A Europa calou.

Que forças continuam sustentando o presidente? Setores do agronegócio? A FIESP? Parte das igrejas evangélicas? Os grandes bancos e o mercado financeiro? O fascismo continua sendo a ditadura terrorista do capital financeiro?

Em 1938, o Reino Unido, imaginando uma paz conciliadora com a Alemanha, assinou o Pacto de Munique cedendo parte da Tchecoslováquia para Hitler. Churchill criticou a decisão de Chamberlain: “Entre a desonra e a guerra, escolheste a desonra, e terás a guerra”.

É preciso pará-lo.

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2 comentários para "Brasil, maio de 2020. É preciso pará-lo"

  1. Nuno Santos disse:

    Custa-me muito que uma publicação que se diz de esquerda publique “Putin invadiu e anexou a Crimeia, repetindo Catarina, “A Grande”
    Aqui em Portugal quem diz isso é a direita, desde o centro-direita até aos fascistas!
    O centr-esquerda, a esquerda, e até a extr-esquerda, recusam essa interpretação.
    Como vos devo classificar?

    • Inácio Carvalho disse:

      Nuno, o Vermelho é um portal de esquerda que publica opiniões de forma ampla. Se você observar, o artigo é assinado e o autor é responsável pelo que diz.

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