Deputados destacam operação da PF contra fake news e ameaças ao STF

Busca e apreensões são parte do inquérito que investiga produção de notícias falsas. Parlamentares esperam que operação acabe com “gabinete do ódio” bolsonarista

Aliados de Bolsonaro (Foto: Reprodução)

O bolsonarismo amanheceu em alerta nesta quarta-feira (27). Isso porque uma operação da Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão no inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre disseminação de fake news contra ministros da Suprema Corte.

Entre os investigados estão o ex-deputado Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang (dono da Havan) e assessores do deputado estadual paulista Douglas Garcia (PSL) – todos aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O caso repercutiu no parlamento. Em tom irônico, a líder da legenda, deputada Perpétua Almeida (AC), usou suas redes sociais para indagar se “Bolsonaro já havia parabenizado a PF nesta manhã”, em referência a ação do presidente em relação à operação do dia anterior que atingiu o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, desafeto declarado do presidente.

“Procurando aqui se o presidente Bolsonaro já parabenizou hoje a PF pela operação no inquérito que apura a quadrilha das fake News”, ironizou Perpétua.

“A rede dos que financiam e espalham fake news sendo desmontada. ‘Mas eu digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda mentira [fake news] que tiverem espalhado’ Mateus 12:36”, tuitou a parlamentar.

Exemplo

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também comentou a operação. Segundo ela, “hoje não é um bom dia para quem espalha fake news e ataca as instituições”. “Que sirva de exemplo para todos e todas que, voluntariamente, usam desse artifício para ferir a democracia. Vocês, que espalham ódio e mentiras na web, não representam o povo brasileiro. São minoria”, declarou.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) defendeu a apuração e punição dos envolvidos. “Fake news não é liberdade de expressão. É crime! A operação da PF de hoje atinge um esquema estruturado que espalha ódio e mentiras na internet, atacando instituições e a democracia. Precisa ser investigado, precisa ser punido”, declarou.

Já o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou que espera que as ações da PF comecem a “desbaratar a quadrilha bolsonarista conhecida por ‘gabinete de ódio’”.

“A disseminação do ódio e da mentira nas redes, através de robôs e mercenários pagos com verba pública, é crime e não pode ser legitimada. As plataformas de redes também têm grande responsabilidade nesse quadro de horror, vez que, com seus algoritmos que manipulam dados pessoais, promovem e até direcionam buscas, contribuindo com a divulgação de tais conteúdos deletérios. Isso representa riscos reais à democracia”, disse.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Enio Verri (PR), disse que as milícias digitais a serviço de Bolsonaro sofreram um duro golpe.

“O estilo bolsonarista de ser, de mentir e de detratar adversários deve ser duramente rechaçado. A decisão do STF apenas fortalece a democracia, a independência e a autonomia dos poderes”, considerou.

Segundo ele, o ministro Alexandre Moraes foi diligente ao rechaçar figuras públicas que tentam subverter a democracia, por meio de ameaças e a produção industrial de mentiras e difamações. “Com altivez, o Judiciário exerce sua autoridade de impor os limites exigidos para preservar a democracia”, afirmou.

Fonte: PCdoB na Câmara

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