Governo Bolsonaro quer vender partes da Caixa até fim de 2021

A venda de subsidiárias das estatais brasileiras tem sido vista como uma tática para esvaziar as empresas e atingir o objetivo de transferi-las ao setor privado.

Agência da Caixa Econômica Federal - Agência Brasil/Arquivo

O governo editou na noite da última sexta-feira (7) a Medida Provisória (MP) 995/2020, que permite à Caixa Econômica Federal criar novas subsidiárias, com a abertura de capital próprio. Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência da República afirma que a MP “é o primeiro passo para a alienação de ativos da Caixa. Pretendemos diminuir a atuação do banco em setores como o mercado de seguros e outros não-estratégicos”.

A nota defende que a MP, que, se aprovada no Parlamento, levará à reestruturação da instituição até dezembro de 2021, permitirá “o acesso a fontes adicionais de financiamentos, com a possibilidade de alienação de ativos e a realização de Ofertas Públicas Iniciais (IPOs)”.

Ainda segundo o governo, a reestruturação não afetará a atuação da Caixa em políticas públicas estratégicas, como o Bolsa-Família, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o financiamento imobiliário.

A venda de subsidiárias das estatais brasileiras pelo governo tem sido vista como uma tática para esvaziar as empresas e atingir o objetivo de transferi-las ao setor privado. A privatização pura e simples tem um custo político maior, além de necessitar da aprovação do Congresso.

Presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos afirmou que representantes dos bancários se reuniram nesta segunda-feira (10) para discutir a medida de Bolsonaro e pretendem resistir.

“Essa MP é muito preocupante e abre caminhos para o desmonte da Caixa. Hoje, fizemos uma reunião com lideranças sindicais e de associações da Caixa traçando uma estratégia nacional para barrar mais este ataque de Bolsonaro. A Caixa é um banco 100% público e que cumpre papel relevante para o desenvolvimento econômico”, afirmou.

Vasconcelos disse ainda que as áreas que o governo pretende privatizar são rentáveis e eficientes. “Geram lucros, inclusive com transferências bilionárias de dividendos ao Tesouro Nacional ao longo dos anos. Não faz sentido algum editar essa MP que pretende, na prática, fatiar a empresa e entregar áreas estratégicas para bancos privados, que estão de olho nas altas lucratividades propiciadas por essas atividades”, declarou.

Com informações da Agência Senado

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