Louise Glück é a 4ª mulher laureada com o Prêmio Nobel 2020

O Prêmio Nobel de Literatura ganha mais uma representante mulher, a 16ª na história. Apesar da premiação mais equilibrada neste ano, as mulheres são sub-representadas na lista de laureados.

A poeta Louise Glück é a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 2020. A escritora norte americana de 77 anos é a quarta mulher laureada na edição deste ano, que começaram na segunda-feira (5) e terá o último ganhador revelado na próxima segunda (12). O anúncio foi feito na manhã da quinta-feira (8) pela Academia Sueca.

Segundo o júri da Academia Sueca, Louise Glück foi escolhida por “sua inconfundível voz poética, que com austera beleza torna universal a existência individual”. Ao longo da carreira, a autora explorou de forma sensível temas como desilusão no amor, desavenças familiares e questionamentos existenciais.

Natural de Long Island, no estado de Nova York, Glück é professora de Língua Inglesa na Universidade de Yale e é reconhecida no cenário literário. A autora estreou em 1968 na literatura com o livro Firstborn e desde então foram 12 coletâneas de poemas e ensaios que dialogam com os autores T.S. Eliot, John Keats e George Oppen. Em 1993, a autora recebeu o Pulitzer pelo livro The Wild Iris e foi premiada no National Book Award em 2014 com a obra Faithful and virtuous night. A obra de Glück ainda não está disponível no Brasil.

Representatividade

A poetisa Louise Glück é mais uma mulher a conquistar o Prêmio Nobel nesta edição. As pesquisadoras Emmauelle Charpentier e Jennifer Doudna receberam o Nobel de Química e três físicos foram laureados nesta edição, entre eles a cientista Andrea Ghez.

O Prêmio Nobel ocorre desde 1901, quando o francês Sully Prudhomme arrebatou o prêmio na categoria literária. Desde então, foram 117 escritores contemplados com a premiação, com ampla maioria do sexo masculino. A sueca Selma Lagerlöf foi a primeira a receber a láurea e Louise Glück é apenas a 16ª escritora a repetir o feito. Estatisticamente, o Comitê escolheu mulheres escritoras 13,6% das vezes.

A elevada representatividade de homens se repete nas outras áreas. As mulheres foram lembradas mais vezes no Nobel da Paz, em que somam 18 vencedoras em um total de 134 prêmios distribuídos, duas a mais do que em literatura. A última vencedora foi Nadia Murad, em 2018, ativista de direitos humanos na luta contra a violência sexual. Em termos comparativos, a proporção de mulheres é muito próxima à observada na categoria literária. Entretanto, o Comitê responsável pela escolha do Prêmio Nobel da Paz também considera organizações humanitárias, como ocorreu na edição deste ano em que o Programa Alimentar Mundial da ONU foi agraciado. Considerando esta escolha, foram 28 organizações laureadas.

O Nobel de Ciências Econômicas foi instaurado posteriormente aos outros prêmios e apresenta o menor número absoluto de mulheres entre os laureados. Desde 1969, foram 84 economistas premiados, entre eles apenas duas mulheres. Esther Duflo, em 2019, recebeu o prêmio por sua “abordagem experimental para aliviar a pobreza global”, de acordo com o júri da premiação. Comparativamente, as mulheres são 2,3% do total.

Com maior número de premiações distribuídas, o Nobel de Medicina ou Fisiologia replica o padrão. Foram 222 escolhidos pelo júri para receber a honra, com 12 mulheres entre os laureados. A última representante feminina foi Youyou Tu em 2015 pela descoberta de um princípio ativo para o tratamento da malária. Nesta categoria, as mulheres são 5,4% entre os premiados.

No campo de pesquisa das exatas, a diferença é maior ainda. As vencedoras do Prêmio Nobel de Química 2020, Charpentier e Doudna, são uma exceção à regra. É tão raro, que o feito de duas mulheres conquistarem a láurea na mesma edição era inédito. As pesquisadoras desenvolveram o Crispr, um método de edição do genoma. Elas são a sexta e a sétima cientistas a alcançarem a distinção, o que representa 3,86% do total das 181 premiações.

Em situação similar, Andrea Ghez foi laureada com o Nobel de Física pela descoberta em parceria com Reinhard Genzel de um objeto compacto supermassivo no centro da Via Láctea. A pesquisadora é apenas a quarta mulher a ganhar a premiação em 216 oportunidades. Marie Curie foi a primeira a ganhar o prêmio em 1903 – e novamente em 1911, dessa vez o Nobel de Química. Maria Goeppert Mayer em 1963 e Donna Strickland, dois anos antes de Ghez, fecham a lista. Elas somam menos de 2% do total.

Apesar da edição 2020 estar mais equilibrada em termos de gênero, o histórico amplamente dominado por figuras masculinas revelam uma deformidade ou na escolha do Comitê ou na promoção de condições igualitárias para a produção científica. O Prêmio Nobel, prestígio máximo para o grande público, foi entregue em 867 oportunidades a homens, cerca de 91%. Para mulheres, 59 vezes.

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