CTB e Fitmetal criticam decisão unilateral e irresponsável da Ford

Segundo as entidades, o encerramento imediato da produção em duas plantas da Ford já provocou “a demissão imediata e irresponsável de milhares de trabalhadores em plena pandemia de Covid-19”

A CTB e a Fitmetal – que têm entidades de base metalúrgicas em nove estados brasileiros – criticaram a decisão “unilateral” da Ford de fechar suas três fábricas no País. Em nota divulgada nesta segunda-feira (11), poucas horas depois do anúncio da montadora, as entidades afirmaram que o encerramento imediato da produção em duas plantas da Ford – Camaçari (BA) e Taubaté (SP) – já provocou “a demissão imediata e irresponsável de milhares de trabalhadores em plena pandemia de Covid-19”.

A nota também manifesta apoio aos trabalhadores atingidos, bem como aos sindicatos que representam essas bases. Na manhã desta terça, o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari deu início à agenda de lutas para enfrentar e reverter a crise da Ford.

Fitmetal e CTB também lembraram que não faltou apoio do Poder Público à Ford. “Ainda que governos como os de Michel Temer e Jair Bolsonaro não tenham investido à altura na indústria, levantamento da Receita Federal estima que os incentivos para a Ford, entre 1999 e 2020, foram de aproximadamente R$ 20 bilhões”, aponta o texto.

“É lamentável que Bolsonaro, em especial, se cale e se omita diante de mais um retrocesso para a indústria brasileira. Mas, infelizmente, é cada vez menos surpreendente que uma empresa do porte da Ford prefira manter seus negócios em países de economia de menor porte, como a Argentina e o Uruguai, transferido para lá empregos qualificados e decentes”, agregam as entidades.

Confira abaixo a íntegra da nota.

NOTA DA CTB E DA FITMETAL
Todo apoio aos metalúrgicos e às metalúrgicas da Ford!

A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e a FITMETAL (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil) repudiam a decisão unilateral da Ford, anunciada nesta segunda-feira (11/01), de fechar suas três fábricas no País. Em duas dessas plantas, Camaçari (BA) e Taubaté (SP), a produção será interrompida já nesta terça (12), com a demissão imediata e irresponsável de milhares de trabalhadores em plena pandemia de Covid-19.

As justificativas usadas pela direção da Ford não levam em conta os bilionários recursos que a montadora recebeu, na forma de renúncia fiscal, em especial no complexo de Camaçari. Ainda que governos como os de Michel Temer e Jair Bolsonaro não tenham investido à altura na indústria, levantamento da Receita Federal estima que os incentivos para a Ford, entre 1999 e 2020, foram de aproximadamente R$ 20 bilhões.

O Brasil tem um dos maiores mercados consumidores de automóveis no mundo. As próprias entidades patronais, como a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e a Fenabrave (Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores) reconheceram que a queda em vendas decorrente da pandemia ficou abaixo do previsto.

É lamentável que Bolsonaro, em especial, se cale e se omita diante de mais um retrocesso para a indústria brasileira. Mas, infelizmente, é cada vez menos surpreendente que uma empresa do porte da Ford prefira manter seus negócios em países de economia de menor porte, como a Argentina e o Uruguai, transferido para lá empregos qualificados e decentes.

Além dos trabalhadores – os mais afetados com a acelerada desindustrialização do País –, uma saída para crises como a da Ford deve envolver o Poder Público (governos federal, estadual e municipal), o setor automotivo e outros segmentos industriais. As direções da CTB e da FITMETAL darão apoio às entidades sindicais envolvidas com as bases da Ford, em especial o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, que já convocou uma agenda de lutas em defesa da preservação do emprego. Só na Bahia, o complexo Ford gera 12 mil empregos, sendo 8 mil na fábrica e outros 4 mil no setor de autopeças, além de dezenas de milhares de empregos indiretos.

Todo apoio aos trabalhadores e às trabalhadoras da Ford e do complexo automotivo, bem como a seus sindicatos, nesta batalha em defesa da vida, do emprego e dos direitos!

Adilson Araújo
Presidente da CTB

Marcelino da Rocha
Presidente da FITMETAL

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