Homenagem a Osvaldo Peredo, parceiro de combates de Che Guevera

Para Luis Arce, presidente a Bolívia, “Osvaldo Peredo foi exemplo de luta pela justiça social e amor pela Bolívia”

Osvaldo ‘Chato’ Peredo ao lado do presidente da Bolívia, Luis Arce. Chato foi o último dos três irmãos que combateram ao lado de Che Guevara

“Com muito pesar recebemos a notícia do falecimento do companheiro e irmão Osvaldo ‘Chato’ Peredo, que foi exemplo de luta pela justiça social e amor pela Bolívia”, afirmou o presidente Luis Arce em suas redes sociais. Médico, líder político e ex-guerrilheiro, ele morreu aos 80 anos, devido a problemas respiratórios, na última terça-feira.

Chato era irmão de Inti e Coco, que combateram ao lado do comandante Che Guevara no Chaco boliviano e, posteriormente, foi um dos fundadores do Movimento Ao Socialismo (MAS), tendo atuação destacada como parlamentar por Santa Cruz de la Sierra.

Entrevistei Chato para o jornal Hora do Povo em 2008, em reportagem que posteriormente integrou meu livro Bolívia nas ruas e urnas contra o imperialismo – à disposição gratuitamente.

Na oportunidade, o parlamentar contou do início da sua militância na Juventude Comunista, aos 13 anos, influenciado pelos irmãos mais velhos, destacou o papel chave da nacionalização dos hidrocarbonetos para o desenvolvimento nacional, o fortalecimento do mercado interno e a retomada da autoestima da população, majoritariamente indígena.

De forma tranquila, mas bastante entusiasmada, contou com orgulho da nova direção dada pelo presidente Evo Morales e seu partido. “Antes, os estrangeiros levavam 82% dos recursos do petróleo enquanto que os 18% que ficavam no país ainda eram malversados pela oligarquia. Eram contratos lesivos ao interesse nacional, mas completamente desconhecidos do povo boliviano. A bancada do MAS os trouxe à tona, nós mudamos as regras do jogo, invertemos os percentuais e por isso estamos vivendo este novo momento. A direita dizia que as transnacionais iriam embora. Não foram, porque seguem lucrando”, assinalou.

Especificamente sobre a solidariedade, ressaltou que representava “uma importante base de sustentação”. “Por exemplo: com a cooperação cubana, em menos de dois anos, construímos 60 hospitais de qualidade. São dois mil médicos cooperando conosco. Este ano, graças à cooperação Cuba-Venezuela, nosso país será declarado pela Unesco livre do analfabetismo. Há pouco mais de dois anos, tínhamos 32% de analfabetos, um dos maiores índices da América Latina. Com a ajuda venezuelana, abrimos uma grande planta de perfuração de gás e petróleo no Altiplano, o que contribuirá cada vez mais para a nossa soberania energética e para integração de nossos países e povos”, frisou.

História

Na oportunidade, recordou que “estava em Moscou estudando medicina, quando me foi dada a tarefa de recrutar jovens bolivianos e latino-americanos que estudavam em países socialistas” para integrar a guerrilha na Bolívia, dominada pelo imperialismo estadunidense. “O Che em seu diário diz: ‘se incorporaram 20 estudantes de países socialistas’. Esta tarefa estava sendo desenvolvida por mim. Os desdobramentos disso são conhecidos pela história. Coco cai numa emboscada. Inti sobrevive e quando estamos organizando um novo contingente para voltar à montanha, assassinam Inti numa emboscada na cidade de La Paz, dois anos depois da guerrilha. Então, em 1970, os remanescentes – éramos 12 – me elegem chefe do Exército de Libertação Nacional, fundado por Che, e começamos a reestruturar a nossa coluna guerrilheira. Em 1970, dez meses depois da queda em combate de Inti, tínhamos uma coluna de 67 homens e voltamos à montanha, mas já com ramificações na cidade. Há um compromisso com o sangue de Che”, relatou.

Na conversa em Santa Cruz, falou das glórias passadas, dos combates presentes e da esperança no futuro, mas sublinhava a necessidade de investir na comunicação latino-americana. Desde então, fazia soar o alerta de que “um dos graves empecilhos à integração é a avalanche desinformativa, a tirania midiática, pois os meios de comunicação privados adotam uma postura terrorista em nossos países”. “No caso da Bolívia, controlados pela direita, exacerbam o racismo”, condenou.

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