Taxas de aprovação e rejeição a Lula voltam a se aproximar

Cresce, de modo generalizado, a sensação de que estão subindo os preços – “das contas” (63%), “dos combustíveis” (51%) e, sobretudo, “dos alimentos” (73%). Ainda assim, 47% veem o governo Lula melhor do que o governo Bolsonaro

Foto: Ricardo Stuckert / PR

A nova rodada da pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (6) mostra uma aproximação entre as taxas de aprovação e rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em dois meses, a distância entre os dois índices caiu de 11 para cinco pontos percentuais.

De acordo com o levantamento, 51% aprovam o trabalho de Lula e 46% desaprovam. Os dados se referem ao mês de fevereiro. Na pesquisa anterior, de dezembro, a diferença era bem mais acentuada: 54% de aprovação ante 43% de reprovação.

O segmento evangélico foi o que mais contribuiu para a mudança nas taxas. A desaprovação de Lula entre esses religiosos saltou de 56% para 62%, enquanto a aprovação recuou de 41% para 35%. Entre as duas pesquisas, ocorreu o ato pró-Jair Bolsonaro, liderado pelo pastor Silas Malafaia.

Em contrapartida, Lula vai bem entre os eleitores de menor renda – os mais beneficiados por medidas como o reajuste real do salário mínimo e a correção na tabela do imposto de renda. Entre quem ganha até dois mínimos, o presidente é aprovado por 61% e reprovado por 36%. A desaprovação cresce entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos – e é ainda maior entre os que ganham mais de cinco salários.

Quando a avaliação mira o conjunto do governo – e não apenas o presidente –, os índices de aprovação e desaprovação estão em empate técnico: 35% a 34%. Outros 28% consideram a gestão regular. A pesquisa anterior, de dezembro, apontava 36% de aprovação e 29% de reprovação.

A percepção sobre a economia está por trás desse cenário, ainda que, em 2023, o país tenha registrado crescimento do PIB, redução do desemprego e inflação sob controle. Para 38%, a economia piorou nos últimos 12 meses. Para 34%, está do mesmo jeito. Só 26% dizem que a economia melhorou. Há dois meses, 34% viam melhoria e 30% indicaram piora.

Uma tendência há de preocupar o governo: cresce, de modo generalizado, a sensação de que estão subindo os preços – “das contas” (63%), “dos combustíveis” (51%) e, sobretudo, “dos alimentos” (73%). Ainda assim, 47% veem o governo Lula melhor do que o governo Bolsonaro, ante 38% que a consideram pior. Para 11%, as duas gestões são iguais. Em compensação, chegou a 35% o patamar dos brasileiros para os quais o governo Lula está pior do que esperava.

O levantamento da Quaest foi contratado pela Genial Investimentos e ouviu 2 mil pessoas de 25 a 27 de fevereiro, em 120 municípios, de todas as regiões do País. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

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