Indicado de Lula, Galípolo comandará o Banco Central a partir de 2025
O economista terá ao seu lado na diretoria do BC mais três nomes também indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Publicado 09/10/2024 14:19 | Editado 10/10/2024 08:58

Por ampla margem de votos, apenas cinco contrários, o plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (8) à noite, o nome do economista Gabriel Galípolo para presidir o Banco Central a partir de janeiro de 2025.
O economista terá ao seu lado na diretoria do BC mais três nomes também indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma das vagas a ser preenchida será a da diretoria de Política Monetária, atualmente ocupada por Galípolo.
“Nós imaginamos que em novembro seja possível sabatiná-los já, então nós vamos primeiro submeter os nomes ao presidente, para depois levar ao senador Rodrigo Pacheco as indicações para que ele possa instalar uma data junto à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e depois à plenária”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O ministro também afirmou que a confirmação do nome de Galípolo para a presidência do BC é um sinal de que “institucionalmente as coisas estão bem no Brasil”.
“Parabenizo o Gabriel Galípolo pela aprovação de seu nome pelo Senado para presidir o Banco Central. Galípolo é preparado, experiente e comprometido com o Brasil. Desejo-lhe sucesso em seu novo desafio”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin, um dos maiores críticos das taxas de juros escorchantes praticadas atualmente pelo banco sob o comando de Campos Neto.
Leia mais: CAE do Senado aprova a indicação de Galípolo para presidente do BC
Para Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os juros estratosféricos sabotam o crescimento econômico e pressionam a dívida pública.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), considera a aprovação de Galípolo como uma grande vitória do presidente Lula no Senado.
“O resultado da votação, com quase unanimidade, é significado de diagnóstico da competência e estatura moral do Gabriel Galípolo para exercer o cargo mais importante da autoridade monetária brasileira. Gabriel exercerá o cargo por amor ao país, dedicação ao povo e zelo com a economia mas, sobretudo, em sintonia com os tempos que o Brasil está vivendo de União e Reconstrução”, disse o líder.
Autonomia
Antes da aprovação no plenário do Senado, o nome de Galípolo obteve unanimidade na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Durante a sabatina no colegiado, o economista enfatizou que terá autonomia nas suas decisões.
Ele disse que nos encontros com o presidente escutou de “forma enfática e clara a garantia da liberdade na tomada de decisões e que o desempenho da função deve ser orientado exclusivamente pelo compromisso com o povo brasileiro”.
Sobre as altas de juros, as quais o presidente tem sido o maior crítico, o economista disse que o papel do Banco Central é permitir o arranjo dos preços relativos de bens e serviços, sempre com a perseguição da meta de inflação.
“Agora olhamos para a economia brasileira e ela dá sinais de que está em um estágio diferente de boa parte do mundo. Hoje o Japão começou a subir juros, a China e a Europa estão em processo de desaceleração. Temos o desemprego na mínima histórica, a renda em crescimento, a indústria no máximo da capacidade instalada nos últimos onze anos. É uma economia pujante. Tudo isso sugere ao BC um processo de inflação mais lento e custoso, devemos ser mais conservadores para atingir a meta inflacionária estabelecida”, respondeu.
Afirmou que não sofreu pressão de Lula para baixar os juros e, sobre possível coerção do presidente e de outros agentes políticos, o indicado adiantou que vai trabalhar com liberdade e de acordo com sua consciência.
“Adoraria poder me vangloriar disso, em um ano e meio como diretor de Política Monetária já fiz as três opções possíveis: manter, aumentar e diminuir a taxa de juros. Mas a verdade é que nunca sofri pressão, seria leviano de minha parte dizer que isso aconteceu”, afirmou.
“Todas as recomendações que recebi, do próprio presidente Lula e também aqui no Senado, foi para agir de acordo com minha consciência, caso contrário começaria a empilhar equívocos. Minhas decisões são tomadas de acordo com o que for melhor para a população brasileira e aqui assumo o compromisso de continuar assim”, prometeu.
Currículo
O relator da indicação de Gabriel Galípolo, senador Jaques Wagner (PT-BA), destacou a trajetória do economista.
O indicado é nascido em São Paulo e graduou-se em Economia, em 2004, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde obteve o título de mestre em Economia Política, em 2008.
No campo acadêmico, foi professor da PUC-SP e do mestrado em Administração da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e da London School of Economics and Political Science.
Entre 2007 e 2008, exerceu cargos no governo estadual de São Paulo: diretor na Unidade de Estruturação de Projetos de Concessão e PPPs da Secretaria de Economia e Planejamento e chefe da Assessoria Econômica da Secretaria dos Transportes Metropolitanos.
Entre 2009 a 2022, foi sócio-diretor da Galípolo Consultoria, onde coordenou e estruturou projetos e estudos de viabilidade econômico-financeira em diversos setores da economia.
De 2017 a 2021, foi presidente do Banco Fator. Ele também foi pesquisador sênior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais e conselheiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, no ano de 2022. Também foi secretário-executivo do Ministério da Fazenda entre janeiro e junho de 2023.