1º de Maio: centrais sindicais reforçam unidade contra avanço da extrema direita
Atividade ocorre em um contexto de desafios econômicos e políticos, com jornada de luta por direitos trabalhistas e democracia
Publicado 02/04/2025 10:51 | Editado 02/04/2025 17:13

Desde 2019, as centrais sindicais têm realizado de forma unificada o ato de 1º de Maio, o Dia do Trabalhador. Em 2025, CTB, Força Sindical, CUT, UGT, CSB, Nova Central e Pública se unificam mais uma vez para uma jornada de lutas que ocorre em um momento crítico. O agravamento da crise da capitalista e o avanço da extrema direita impõem desafios adicionais ao sindicalismo, que busca consolidar sua força.
A mobilização pelo 1º de Maio já começa no dia 9 de abril, com a realização de debates, seminários e atividades culturais e esportivas sobre a história e o significado da data. Essas ações serão promovidas por sindicatos, federações e confederações filiadas às centrais sindicais por todo o Brasil.
Um dos momentos mais importantes da jornada será a Plenária da Classe Trabalhadora, em Brasília, no dia 29 de abril. Durante a atividade, as centrais atualizarão a Pauta da Classe Trabalhadora e, em seguida, farão uma caminhada para entregar o documento ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB); do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luís Roberto Barroso; e do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Aloysio Corrêa da Veiga.
O ato do dia 1º de maio ocorrerá no Campo de Bagatelle (zona norte de São Paulo), às 9 horas. CTB, Força Sindical, UGT, CSB, Nova Central e Pública se unificarão para reforçar a resistência contra retrocessos sociais e a agenda neoliberal. A expectativa é de que a CUT também participe, com discursos, embora não integre formalmente a organização do ato.
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, destaca a importância de manter a unidade sindical. “Mais do que nunca, a razão nos orienta a defender a realização do 1º de Maio 2025 unitário, criando uma tradição que devemos preservar e consolidar”, afirma Adilson. “A fragmentação só beneficia os patrões”, agrega João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical.
Reflexos da conjuntura política
A eleição de Lula e o fracasso da tentativa golpista de Jair Bolsonaro impediram o avanço de um regime abertamente autoritário, mas a extrema direita ainda exerce forte influência no Congresso. Segundo Adilson, é necessário “prender Bolsonaro” e viabilizar uma agenda desenvolvimentista para reconstruir o país.
Para o secretário-geral da CTB, Ronaldo Leite, é preciso rever as reformas da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e da Previdência, que enfraqueceram os sindicatos e retiraram direitos. “A reforma trabalhista subtraiu dos sindicatos sua principal fonte de sustento. Isso torna a unidade ainda mais essencial”, complementou. “Sem unidade, não há reversão dos ataques impostos desde o golpe de 2016.”
Entre as principais reivindicações das centrais sindicais estão:
- Redução da jornada de trabalho sem redução salarial;
- Fim da carestia;
- Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil;
- Redução dos juros e mais investimentos para gerar empregos;
- Valorização do salário mínimo;
- Igualdade salarial entre homens e mulheres;
- Aposentadoria digna;
- Valorização do servidor público.
1º de Maio com festa e luta
Neste ano, o Dia do Trabalhador tem como lema “Por um Brasil Mais Justo, Solidário, Democrático, Soberano e Sustentável”. A programação contará com debates, manifestações e apresentações de artistas da música popular brasileira. Além disso, serão sorteados dez automóveis para os trabalhadores presentes. A entrada é gratuita, e os trabalhadores podem retirar cupons para o sorteio de carros em sindicatos ou no local.
“É um dia para celebrar conquistas, mas também para refletir sobre os desafios. A união das centrais fortalece nossa voz contra os retrocessos”, diz Miguel Torres, presidente da Força Sindical. “Teremos momentos de reflexão, política e lazer. Vamos debater os temas que afetam a classe trabalhadora e, também, assistir a apresentação de shows gratuitos.”