Em tom de deboche, Trump tripudia da soberania venezuelana

Nas redes sociais, o presidente dos EUA compartilha montagem que o coloca como “presidente interino” da Venezuela

A face mais abjeta do imperialismo estadunidense ganhou contornos de deboche e desrespeito ao direito internacional nesta semana. Em um gesto que mistura arrogância colonial e espetáculo midiático, o presidente Donald Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para tripudiar sobre a atual tragédia política e humanitária imposta à Venezuela.

Trump compartilhou uma montagem que imita o layout da enciclopédia virtual Wikipédia, apresentando-o como “presidente interino da Venezuela, em exercício, janeiro de 2026”. Na peça de propaganda, o cargo de governante do país sul-americano aparece acima de sua função como chefe da Casa Branca, sinalizando que, para a atual administração norte-americana, tem desprezo pela soberania da Venezuela e pela regras da democracia.

A intervenção como entretenimento

O gesto não é apenas uma “brincadeira” de redes sociais, mas um escárnio planejado. Tem a função de, ao provocar o repúdio das redes sociais, alavancar a exposição da própria postagem. A publicação foi feita apenas uma semana após a invasão militar de Caracas por tropas norte-americanas, que resultou na deposição e sequestro do presidente eleito Nicolás Maduro e da ex-primeira-dama Cilia Flores. Ambos foram levados para uma prisão em Nova Iorque sob o pretexto de acusações de “narcoterrorismo” — um roteiro repetido por Washington para justificar intervenções cirúrgicas e golpes de Estado. 

Enquanto a comunidade internacional assiste com apreensão à tutela explícita dos EUA sobre a Venezuela, Trump transforma a violência da ocupação em deboche para entreter a base eleitoral. O presidente tem divulgado imagens de Maduro como troféu de guerra a bordo do navio USS Iwo Jima, tratando a política externa como um reality show sangrento.

O saque das riquezas: petróleo sob ordens de Washington

Por trás da cortina de fumaça dos memes e das provocações digitais, o objetivo central da intervenção revela-se sem disfarces: o controle dos recursos naturais. Após alegar que colocou o governo interino de Delcy Rodríguez sob sua tutela direta, a Casa Branca foi enfática ao declarar que as decisões da autoridade provisória venezuelana são, agora, “ditadas” a partir de Washington.

Reuniões com executivos de gigantes do setor petroleiro já definem os “próximos passos” para a extração e venda do petróleo venezuelano. A imagem de Trump como “presidente interino” é a tradução visual de uma realidade de administração estrangeira direta sobre a maior reserva de petróleo do mundo.

A ameaça se estende à região

O delírio expansionista e o tom de chacota não param na Venezuela. Trump sinalizou que o alvo seguinte é a Revolução Cubana, afirmando que a ilha “está pronta para cair” após o bloqueio total do acesso ao petróleo venezuelano. Em mais um momento de desrespeito diplomático, o mandatário endossou montagens que sugerem o secretário de Estado, Marco Rubio, como futuro “presidente” de Cuba.

Para os analistas, a postura de Trump busca normalizar a intervenção militar e a quebra da ordem democrática como algo trivial. Ao rir de uma nação cuja soberania foi violada e cujos líderes foram encarcerados, o governo dos EUA reafirma a face covarde de uma potência que se sente autorizada a desenhar e redesenhar o mapa político da América Latina de acordo com os interesses comerciais e caprichos ideológicos próprios.