Com piso salarial maior, professores pagarão menos imposto

Receita Federal afirma que, com salário menor, professor pagava R$ 283 mensais, e agora vai pagar R$ 46, e desmonta desinformação nas redes

21.01.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o ministro da Educação, Camilo Santana, para assinatura de mensagem ao Congresso Nacional de encaminhamento da MP do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica. Palácio do Planalto. Brasília (DF) - Brasil Foto: Ricardo Stuckert / PR

A assinatura, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da medida provisória que reajusta o piso nacional do magistério desencadeou uma onda de desinformação nas redes sociais. Publicações passaram a afirmar que professores e professoras pagariam mais Imposto de Renda após o aumento salarial. Diante da repercussão, a Receita Federal divulgou nota oficial para desmentir a informação, classificando-a como falsa.

Segundo a Receita, o reajuste do piso ocorre em um contexto de mudanças estruturais na tributação da renda. Com as novas regras, professores não apenas deixam de pagar mais imposto, como passam a recolher menos, mesmo com o salário bruto maior. A combinação entre valorização salarial e redução da carga tributária resulta em aumento efetivo do salário líquido.

Os números que desmontam a narrativa falsa
A nota da Receita apresenta um comparativo direto. Em 2025, com o piso salarial de R$ 4.867,77, um professor pagava cerca de R$ 283,14 mensais de Imposto de Renda retido na fonte, considerando o desconto simplificado. Em 2026, com o piso reajustado para R$ 5.130,63, esse valor cairá para aproximadamente R$ 46,78 por mês. A redução ocorre apesar do aumento nominal do salário.

O principal fator para essa mudança é a Lei nº 15.270/2025, sancionada em 2025, que ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil mensais. Além disso, a norma reduziu o imposto devido para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Na prática, isso retira milhões de trabalhadores da base de tributação ou diminui significativamente o valor pago.

De acordo com o órgão, as novas regras tornam a tributação mais progressiva e aliviam o orçamento mensal dos trabalhadores. “Na prática, isso faz com que mais pessoas deixem de pagar Imposto de Renda e outras passem a pagar menos”, afirma a nota. Para os profissionais da educação, o efeito é direto: aumento real da renda disponível.

Valorização do magistério em duas frentes
A Receita destaca que a política adotada pelo governo atua em duas frentes complementares. De um lado, eleva o piso salarial do magistério, atendendo a uma reivindicação histórica da categoria. De outro, reduz a incidência do Imposto de Renda sobre esses rendimentos, garantindo que o reajuste não seja absorvido pelo fisco.

Para o governo, a circulação de informações falsas sobre o tema revela uma disputa política em torno da agenda de valorização do serviço público. Ao negar que o reajuste implique maior tributação, a Receita busca conter narrativas que associam aumentos salariais a perdas indiretas, reforçando que, neste caso, ocorre exatamente o oposto.

Ao final, a Receita é categórica: não procede a afirmação de que o reajuste do piso do magistério levará automaticamente os professores a pagar mais Imposto de Renda. Com a nova legislação, os profissionais da educação são beneficiados duplamente — com salário maior e imposto menor — consolidando um ganho real no rendimento mensal.

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