Dia da Visibilidade Trans: organizar a luta para transformar a realidade

A luta das pessoas trans não pode ser dissociada da luta de classes e deve exigir políticas públicas universais, SUS fortalecido, educação pública inclusiva e trabalho digno

Foto: Agência Brasil

O Dia da Visibilidade Trans não pode ser tratado como uma data simbólica esvaziada de conteúdo político. No Brasil, pessoas trans seguem sendo violentadas, exploradas e mortas porque o capitalismo dependente, racista e patriarcal organiza a sociedade a partir da exclusão de corpos considerados descartáveis.

Não é por acaso que o Brasil seja o país que mais mata pessoas trans no mundo.

Essa violência não é resultado de ações individuais isoladas, mas de uma estrutura social que combina transfobia, racismo e exploração de classe. Travestis e mulheres trans, em sua maioria negras, periféricas e pobres, são expulsas da escola, excluídas do mercado formal de trabalho e empurradas para a informalidade e a precarização extrema da vida.

O sistema capitalista se sustenta nessa lógica. Ele lucra com a marginalização, com a ausência de direitos, com o desfinanciamento das políticas públicas e com a fragmentação da classe trabalhadora. A transfobia, assim como o racismo e o machismo, não é uma falha do sistema: é instrumento de manutenção da exploração.

Mesmo os direitos conquistados a partir da luta organizada, como o nome social, a retificação de documentos e o processo transexualizador no SUS, permanecem ameaçados pelo subfinanciamento do Estado, pela lógica privatista e pela ofensiva conservadora que tenta transformar nossas existências em disputa moral. Sem orçamento e sem prioridade política, direitos não se efetivam.

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A exclusão educacional e a dificuldade de acesso ao trabalho formal não são desvios, mas parte do funcionamento do sistema.

Ao negar acesso à educação e ao emprego, o Estado capitalista mantém um contingente permanente de trabalhadores precarizados, reforçando o ciclo de pobreza, violência e exclusão que atinge de forma brutal a população trans.

Por isso, a luta das pessoas trans não pode ser dissociada da luta de classes. Não há libertação trans possível sem enfrentar o capitalismo, o racismo estrutural e o patriarcado. A história do movimento trans no Brasil, liderado por travestis e mulheres trans negras desde os anos 1970, sempre foi uma história de organização popular, resistência coletiva e disputa de poder.

Neste Dia da Visibilidade Trans, reafirmamos que visibilidade não é tolerância.

É transformação social. É exigir políticas públicas universais, SUS fortalecido, educação pública inclusiva, trabalho digno, renda, moradia e segurança para toda a classe trabalhadora.

Como nos ensinou Antônio Gramsci, seguimos com o pessimismo da razão, diante de um sistema que produz morte, mas com o otimismo da vontade organizada, porque, enquanto houver exploração, nossa resposta seguirá sendo organização, luta e construção de um projeto popular de sociedade.

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