Zelensky batiza unidade militar com nome de força ligada ao nazismo
O presidente da Ucrânia recuperou denominação nazista responsável pelo genocídio de 100 mil poloneses na 2ª Guerra Mundial
Publicado 23/06/2026 12:56 | Editado 23/06/2026 13:39
A presença de neonazistas nas Forças Armadas ucranianas é amplamente conhecida. O Batalhão Azov é um desses exemplos. A milícia paramilitar foi oficialmente integrada pelo Estado da Ucrânia às suas fileiras de combate e costuma utilizar simbologia nazifascista, como o sol negro, e reverenciar figuras de extrema direita como o fascista Stepan Bandera (1909-1959), principal líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B, facção banderista).
Nesse aspecto, a escolha de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, em nomear um batalhão com o nome de uma unidade ligada ao nazismo só reforça essa visão.
No final de maio, Zelensky deu o nome de Exército Insurgente Ucraniano (UPA, sigla original) a uma unidade militar, com a justificativa de restauração de tradições históricas. O título “Heróis do UPA” teve imediata repercussão na Polônia, país em que o agrupamento militar ligado a Bandera, durante a 2ª Guerra Mundial, lutou em apoio aos nazistas e foi responsável por um massacre estimado em cerca de 100 mil poloneses.
O genocídio praticado pelos ucranianos do UPA na Volínia e na Galícia Oriental, entre 1943 e 1945, ocorreu a partir da invasão alemã à União Soviética (URSS). Nesse momento, o grupo armado se uniu às tropas de Adolf Hitler para reivindicar não só autonomia em relação à URSS, mas também para anexar territórios poloneses. A partir daí, os nazistas ucranianos mataram civis para ocupar as regiões em questão.
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Ainda que em certos momentos o UPA tenha se voltado contra os alemães, as alianças com os nazistas perduraram. Com o fim da 2ª Guerra, o UPA manteve atuação por mais alguns anos contra os soviéticos. As ações ganharam adeptos e saudosistas do nazifascismo, que encontram guarida até hoje ao ressuscitar seus símbolos e ideais.
Parte disso se fez presente com a decisão de Zelensky de retomar a denominação UPA, porém a perversidade não parou por aí. Em outro caso, ele realizou uma cerimônia militar em Kiev para enterrar os restos mortais do líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-M, facção melnykista), Andriy Melnyk, e da sua esposa, que antes estavam em Luxemburgo.
Veja abaixo a homenagem do presidente da Ucrânia aos nazistas:
As we were bringing Colonel Andriy Melnyk and his wife Sofia back to Ukraine – through Zakarpattia and then across half the country to our free capital, Kyiv – this path was not marked by the discord that had so often knocked us, and Ukraine, off our feet in the past. There were… pic.twitter.com/qXpsTeZkfR
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) May 25, 2026
Toda essa situação gerou repúdio de diversos países. O presidente polonês, Karol Nawrocki, foi o mais enfático nas críticas. Segundo ele, “na família europeia, não se pode glorificar bandidos e assassinos que mataram mulheres e crianças, que mataram poloneses”, disse à emissora Polsat, em referência à tratativa de entrada da Ucrânia à Otan, um dos estopins para a atual guerra contra a Rússia.
Nawrocki ainda defendeu retirar de Zelensky a Ordem da Águia Branca, a maior condecoração do país. A honraria foi concedida pelo presidente polonês anterior, Andrzej Duda. A iniciativa fez com que o ucraniano devolvesse a medalha antes que uma análise da destituição fosse realizada.
No plano regional, a Polônia até então havia sido um dos principais países que se posicionaram a favor das forças ucranianas contra a Rússia. Desde 2022, houve oferta de apoio político e militar, porém ao longo dos últimos anos e com mudanças políticas, a situação se deteriorou até chegar ao atual momento. Estima-se em mais de um milhão de ucranianos refugiados em território polonês, o que tem aumentado o desgaste.