Centrais e movimentos vão às ruas pressionar o Senado pelo fim da escala 6×1
Atos nacionais em 30 de junho marcam nova etapa da campanha pela jornada de 40 horas sem redução salarial e ampliam pressão sobre senadores
Publicado 24/06/2026 17:00 | Editado 24/06/2026 18:12
Centrais sindicais, movimentos populares e entidades da sociedade civil convocaram para a próxima terça-feira, dia 30 de junho, uma jornada nacional de mobilizações em defesa da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e pelo fim da escala 6×1. A iniciativa ocorre em um momento considerado decisivo pelos organizadores, após o avanço da proposta na Câmara e a abertura do debate no Senado Federal.
A convocação foi definida em reunião nacional realizada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pelo Fórum das Centrais Sindicais e movimentos ligados à redução da jornada. O objetivo é transformar o amplo apoio social à proposta em pressão organizada sobre os parlamentares responsáveis pela próxima etapa da tramitação.
Em São Paulo, o principal ato ocorrerá às 18 horas em frente ao MASP, na Avenida Paulista. Manifestações também estão previstas em capitais e cidades de todas as regiões do país e serão divulgadas nos próximos dias.
Senado torna-se principal campo da disputa
As entidades avaliam que a luta entrou em uma nova fase após a aprovação da matéria na Câmara dos Deputados. Agora, o foco está voltado para o Senado e, especialmente, para a pressão sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para que a proposta seja colocada em votação.
Segundo deliberações do Fórum das Centrais Sindicais, está prevista uma reunião com Alcolumbre em 1º de julho, além da participação das entidades em audiência pública no Senado e de uma ampla agenda de visitas a senadores nos estados. O plano inclui ainda a distribuição de materiais elaborados pelo Dieese e a publicação de anúncios em grandes jornais para fortalecer a campanha.
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O documento aprovado pelas centrais também estabelece uma coordenação nacional de mobilização, a organização de ações estaduais e a ampliação da articulação entre sindicatos e movimentos sociais.
Saiba como pressionar os senadores
Para pressionar os senadores para que aprovem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada na Câmara dos Deputados por ampla maioria, é possível fazê-lo utilizando a Plataforma Na Pressão, ferramenta que possibilita pressionar cada um dos parlamentares por meio de mensagens diretas a eles por e-mail e também por mensagens nos perfis de redes sociais.
Com o Na Pressão, é possível selecionar o estado e acessar a lista de todos os parlamentares daquele estado e então pressionar cada um deles. Basta acessar o link napressao.org.br e clicar em “pressionar”.
Unidade sindical em torno da pauta
A mobilização reúne um dos mais amplos espectros do sindicalismo brasileiro dos últimos anos. Participam da campanha a CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB, NCST, Intersindical, Pública e outras organizações que integram o Fórum das Centrais Sindicais.
Em manifesto conjunto encaminhado ao Senado, as entidades defendem que a jornada de 44 horas semanais, estabelecida pela Constituição de 1988, não acompanhou as profundas transformações ocorridas no mundo do trabalho nas últimas décadas.
A avaliação compartilhada pelas centrais é que os ganhos de produtividade decorrentes da automação, da digitalização e das novas tecnologias não foram convertidos em mais tempo livre para os trabalhadores, mas apropriados principalmente pelas empresas.
Qualidade de vida e geração de empregos
Para os defensores da proposta, a redução da jornada não representa apenas uma reivindicação trabalhista, mas uma política de desenvolvimento econômico e social.
O manifesto das centrais sustenta que jornadas menores podem contribuir para a criação de empregos, a redução da subocupação e a melhoria das condições de saúde física e mental da população trabalhadora.
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As entidades também destacam números relacionados à saúde ocupacional. Segundo dados apresentados na campanha, o Brasil registrou mais de 6,4 milhões de acidentes de trabalho na última década, incluindo mais de 27 mil mortes associadas às atividades laborais. Na avaliação feita, a sobrecarga e as jornadas extensas contribuem diretamente para o adoecimento e para o aumento desses índices.
Outro argumento recorrente é o impacto da medida sobre as desigualdades de gênero. As centrais afirmam que a redução da jornada pode ampliar o tempo destinado ao cuidado familiar e contribuir para uma divisão mais equilibrada das tarefas domésticas, tradicionalmente concentradas sobre as mulheres.
CTB destaca caráter histórico da campanha
O vice-presidente da CTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, afirmou que a campanha alcançou uma etapa decisiva após a vitória obtida na Câmara dos Deputados.
Segundo ele, a aprovação da proposta representa uma conquista construída pela mobilização sindical e popular. O dirigente sustenta que a redução da jornada permitirá ampliar o acesso ao lazer, à educação, à convivência familiar e a outros direitos sociais frequentemente limitados pelas longas jornadas de trabalho.
A CTB também destaca que o debate continuará no Senado já nos dias seguintes às manifestações, com a realização de uma sessão temática prevista para 1º de julho, reunindo representantes dos trabalhadores, empresários, parlamentares e integrantes do governo.
Pressão social como fator decisivo
A avaliação predominante entre as centrais é que nenhuma mudança estrutural nas relações de trabalho foi conquistada sem mobilização popular. Por isso, a estratégia definida para os próximos dias combina manifestações de rua, pressão digital, visitas aos gabinetes parlamentares e ampliação das campanhas de conscientização.
Os organizadores entendem que o apoio majoritário à redução da jornada precisa ser transformado em força política organizada para superar resistências empresariais e garantir a aprovação da proposta no Senado.
Nesse contexto, o dia 30 de junho é tratado pelas entidades como uma demonstração nacional de força da classe trabalhadora e como um passo importante na tentativa de reabrir, quase quatro décadas depois da Constituição de 1988, o debate sobre a distribuição do tempo de trabalho no Brasil.