Reprovação e abandono escolar caem mais de 60% no ensino médio brasileiro
Censo Escolar também mostra redução de 28% na distorção idade-série e aumento de 11% na aprovação. MEC atribui avanços às políticas públicas voltadas à permanência e aprendizagem
Publicado 26/06/2026 15:07 | Editado 27/06/2026 14:53
O Brasil deu mais um salto qualitativo no campo educacional sob o governo Lula, com a queda de 62% no índice de reprovação, de 61% no abandono escolar e de 28% na distorção idade-série no ensino médio nos últimos quatro anos. No mesmo período, a taxa de aprovação subiu 11%.
É o que revela a segunda etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC), e divulgada nesta sexta-feira (26). Tais melhorias foram observadas a partir de 2023.
O levantamento também verificou um aumento de 46% nas inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) feitas por concluintes de escola pública.
Na avaliação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, “os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado”.
Ele acrescenta que o cenário reflete “uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica. Observamos, ainda, uma melhoria simultânea nos indicadores de abandono, repetência e atraso escolar no Brasil”.
Mais políticas públicas = educação melhor
A equação é simples: quanto mais políticas públicas focadas na melhoria e ampliação da educação, melhores os indicadores socioeconômicos de um país. No Brasil, no entanto, os últimos governos de direita, sobretudo o de Jair Bolsonaro (PL), negligenciaram áreas estratégicas para o avanço do País, entre as quais a educação. A partir do terceiro governo Lula, uma série de políticas voltadas à área foi coloca em prática ou ampliada.
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Entre as iniciativas que estão ligadas aos resultados obtidos, o MEC cita inicialmente o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Baseado na colaboração entre os entes federativos, o programa tem como foco garantir a alfabetização de todas as crianças até o final do segundo ano do ensino fundamental, além de recuperar aprendizagens dos de terceiro, quarto e quinto anos afetadas pela pandemia. O programa está associado à elevação do índice de alfabetização das crianças de 36% em 2021 para 66% em 2025, segundo o MEC.
Outras medidas apontadas são a Escola em Tempo Integral e a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, que permitem aos estudantes passarem mais tempo no ambiente de aprendizagem e terem acesso a uma educação conectada, bem como a aprendizagem digital e midiática.
De acordo com a pasta, pela primeira vez a educação em tempo integral alcançou a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa um em cada quatro estudantes na modalidade. “O próximo grande passo da educação brasileira é ampliar a oferta de educação em tempo integral. Precisamos avançar simultaneamente em equidade e qualidade. Esse é o desafio da próxima década”, reforça o ministro.
O MEC ainda assinala que avanços obtidos no Enem também vêm contribuindo para essa melhoria geral, mas destaca, sobretudo, o papel central do Pé-de-Meia.
“É o programa educacional mais importante da última década e um dos mais relevantes das últimas duas décadas por enfrentar a desigualdade de oportunidades. O jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda. É uma política educacional para melhorar a permanência e o desempenho dos estudantes”, defende Leonardo Barchini.
Lançado no início de 2024, o Pé-de-Meia estabelece incentivo financeiro-educacional na modalidade de poupança, destinado a promover a permanência e a conclusão escolar de estudantes matriculados no ensino médio público, com o objetivo de democratizar o acesso e reduzir a desigualdade social. Até o momento, cercada 7,2 milhões de estudantes foram beneficiados, de acordo com o governo.