Investigação da PF conclui que Flávio Bolsonaro caluniou presidente Lula
Relatório final aponta que postagem do senador nas redes atribui falsos crimes a Lula. Documento deve ser enviado pelo STF à PGR, que determinará se oferecerá denúncia
Publicado 27/06/2026 11:32 | Editado 27/06/2026 17:22
A coleção de crimes atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou mais um item nesta semana com a conclusão, pela Polícia Federal, de investigação sobre postagem caluniosa feita por ele contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A conclusão da PF, publicada nesta sexta-feira (26), consta em relatório final encaminhado para providências por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
O inquérito foi aberto em abril pelo ministro Alexandre de Moraes. O próximo passo, agora, é a remessa para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se oferece denúncia ou arquiva a investigação.
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A publicação alvo de apuração foi feita pelo parlamentar no dia 3 de janeiro, após o sequestro do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos.
“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, disse Flávio, associando levianamente o presidente a uma série de crimes.
Conforme destacou o relatório da PF, “tendo em vista o teor da postagem (…), fica claro que o senador afirma que a delação seria feita por Nicolás Maduro e que, no entendimento do senador, os crimes pelos quais o presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem”.
A investigação aponta, ainda, ter ficado claro “que o senador Flavio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”.
Além disso, a PF afirma não haver dúvida sobre a autoria da publicação por parte de Flávio, confirmada, inclusive, por manifestações públicas do próprio senador e pelos argumentos apresentados por sua defesa durante a investigação.
O relatório indica, por fim, a caracterização do crime de calúnia previsto no artigo 138 do Código Penal, com a possibilidade de a pena prevista ser aumentada, uma vez que a ofensa foi dirigida ao presidente da República e praticada por meio que facilita sua ampla divulgação.