Medidas do governo de Portugal revoltam emigrantes
A política do governo de Portugal para o ensino da língua e cultura portuguesas no exterior e os planos para o fechamento de serviços consulares estão deixando indignadas e revoltadas as comunidades portuguesas, que prometem prosseguir a luta.
Publicado 15/12/2011 17:45
Em Zurique, no domingo (11), quase duas centenas de portugueses que residem e trabalham na Suíça fizeram sentir a sua indignação junto ao secretário de Estado. Surpreendido pela iniciativa, José Cesário não justificou a demissão de 20 professores no meio do primeiro semestre, nem adiantou qualquer solução para as consequências que a medida terá na vida de mais de duas mil crianças e jovens, relata a associação de pais local.
De acordo com aquela estrutura, o fim do ensino da língua e cultura portuguesas em 72 países, decidido pelo executivo PSD/CDS com o apoio do Instituto Camões, vai desempregar 1.691 docentes e impossibilitará cerca de 155 mil portugueses e lusodescendentes de estudar a língua e cultura maternas.
Os encarregados de educação alertam ainda para a tentativa de afastá-los do processo. No mesmo dia em que José Cesário se deslocou a Zurique, três dezenas de pais foram impedidos de participar numa reunião sobre a matéria, a qual, explicam, "souberam por portas e travessas", não tendo sido convocados como deveriam.
Em Osnabrück, na Alemanha, também no dia 10 de dezembro, a comunidade pertencente à área do vice-Consulado de Portugal ficou a saber que aquele serviço só funcionará regularmente até ao próximo dia 13 de janeiro, e que o seu encerramento definitivo está decidido.
Em comunicado, o "Grupo Osnabrück Não Desiste" acusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros de falta de transparência e rigor nos critérios subjacentes ao encerramento de consulados e vice-consulados, e anunciou o início da recolha de assinaturas para obrigar a Assembleia da República a discutir o assunto, iniciativa para a qual, garantem, têm o apoio da maioria dos 23 mil cidadãos nacionais que residem em Osnabrük e de todos os portugueses da área de Düsseldorf.
Com informações do jornal Avante!