Milei obtém superavit primário em cima do não reajuste das aposentadorias

Em contra-ataque, os deputados aprovaram nesta quarta (5) uma nova fórmula para reajustar o valor das aposentadorias. O ultraliberal, no entanto, afirmou que vai vetar

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A tragédia do modelo econômico defendido pelo atual governo da Argentina, liderado pelo presidente ultraliberal Javier Milei, começa a ficar mais transparente para a população do país vizinho, especialmente para os aposentados. Com Milei, o poder de compra dos pensionistas teve baixa real de 31% enquanto as despesas com servidores públicos caíram 16%.

Do outro lado da avenida de Maio, a Câmara dos Deputados aprovou nova regra de reajuste das aposentadorias, com correção pela inflação passada e algum aumento real. O presidente argentino aguarda a decisão do Senado e já ameaçou não sancionar a lei, caso o Congresso a aprove.

Com o intuito de apresentar, logo em seu primeiro ano de mandato, um superavit primário atraente para os Chicago Boys, ou seja, o resultado positivo de todas as receitas e despesas do governo (exceto gastos com pagamento de juros), Milei tem retirado receitas do pagamento de pensões e aposentadorias.

A tática é pôr em prática um arrocho econômico em que as despesas do governo não são reajustadas no mesmo ritmo do aumento de preços, fazendo com que o gasto do Estado tenha queda real.

A medida soou como um alerta até mesmo para agentes econômicos amistosos com o governo. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem apoiado as políticas macroeconômicas do líder da extrema-direita argentina, voltou a reiterar, nesta quinta (6), o apoio ao plano de ajuste fiscal de Milei, mas sinalizou para a necessidade de aplicar medidas econômicas que protejam “os mais vulneráveis”.

De acordo com dados do Congresso argentino, para cada 100 pesos do superavit, 64 pesos foram obtidos através dos cortes nas aposentadorias.

Para interromper a máquina de moer a terceira idade, a Câmara dos Deputados aprovou nova regra de reajuste das aposentadorias, com correção pela inflação passada e algum aumento real, com 67% dos votos de um plenário quase cheio.

A votação segue para o Senado e, se aprovada, vai para sanção do ultraliberal que já disse que irá vetar.

Os blocos da oposição dialoguista e do peronismo fecharam um acordo político que permitiu avançar com a sanção na Câmara dos Deputados de uma nova fórmula para atualização das aposentadorias, que trocou o mecanismo imposto por Milei via decreto.

O texto aprovado propõe uma atualização mensal com base no último dado disponível do Índice de Preços ao Consumidor, além da inclusão de uma compensação extra de 8,1%, dado que o percentual de 12,5% outorgado pelo governo não cobriu a inflação de janeiro, que ficou em 20,6%.

 “Toda vez que os degenerados fiscais da política (em referência aos deputados) querem romper o equilíbrio fiscal, eu digo a eles, já disse antes, digo agora e vou repetir ad nauseam: vou vetar tudo, não dou a mínima”, afirmou Milei durante o encerramento do Fórum Econômico Latam 2024.

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