Nunes foge de debate e Boulos lembra as vezes em que o prefeito faltou à cidade

Paulistano sofreu com apagões da Enel e a dengue, enquanto o prefeito se omitia. Boulos também apontou a ausência de política de moradia.

Guilherme Boulos durante a entrevista em que o microfone de Nunes permaneceu vazio. Imagem de Reprodução

O que era esperado como o primeiro confronto direto entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo no segundo turno das eleições se transformou em uma sabatina de uma hora. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) decidiu não comparecer ao debate promovido pelo Grupo Globo na manhã desta quinta-feira (10), resultando na participação apenas de Guilherme Boulos (PSOL). Boulos respondeu às perguntas dos jornalistas dos veículos Valor, O Globo e da rádio CBN, utilizando o espaço para criticar seu oponente e apresentar suas propostas para o futuro da cidade.

Boulos aproveitou a ocasião para reforçar seu discurso de mudança e buscar a aproximação com os eleitores descontentes com a atual gestão. “Quem acha que a cidade está boa do jeito que está concorda com meu adversário”, afirmou Boulos, em menção ao atual prefeito, acrescentando que seu projeto, ao lado de Marta Suplicy (PT), busca transformar a capital paulista. “A propaganda dele diz que ele fez tudo. Quem entende que São Paulo precisa de mudança, pode mais e merece mais, está comigo e com a Marta porque é a candidatura da mudança nesse segundo turno”.

O deputado federal não poupou críticas à gestão de Nunes, mencionando episódios de sua administração. “O mesmo candidato que fugiu do debate é aquele que se eximiu de suas responsabilidades por três anos e meio, como no caso do apagão, quando duas milhões de pessoas ficaram sem luz e ele estava no camarote da Fórmula 1”, acusou Boulos. Ele também expressou frustração por não ter podido questionar diretamente Nunes sobre obras contratadas sem processo licitatório e a nomeação do cunhado de Marcola como chefe de gabinete.

A campanha de Nunes tem sugerido a redução do número de debates do segundo turno, alegando que foram recebidos convites para 12 encontros e propondo a realização de apenas três. Já a equipe de Boulos acredita que o número poderia ser ajustado para entre sete e nove. A ausência de Nunes tem sido utilizada por Boulos para reforçar suas críticas, chamando-o de “fujão”. Em entrevista anterior, o candidato acusou o prefeito de fugir de suas responsabilidades, afirmando que São Paulo ficou “largada” durante a gestão de Nunes, que só “reapareceu na época de eleição”.

“Foi alguém que fugiu quando estávamos na maior epidemia de dengue na cidade e deixou as pessoas da própria sorte. É lamentável que alguém que tem esse tipo de postura fraca e omissa queira ser prefeito de São Paulo”, disparou.

Durante a sabatina, Boulos destacou suas propostas de mudança para a cidade, como o maior programa de moradia e regularização fundiária do mundo, além de medidas de acolhimento humanizado para as 80 mil pessoas em situação de rua. Ele frisou que seu governo, se eleito, será marcado pela redução do número de ocupações irregulares, uma vez que implementará uma política robusta de moradia. “Este será o governo com o menor número de ocupações da história da cidade de São Paulo. Sabe por quê? Porque ocupação de movimento social ocorre quando não tem política de moradia e nós vamos fazer o maior programa de moradia e regularização”, garantiu o candidato.

O candidato do PSOL também reiterou seu compromisso de dialogar com o eleitorado que votou em Pablo Marçal (PRTB) no primeiro turno, reconhecendo o sentimento de indignação de muitos eleitores que se sentiram desamparados pela política tradicional. “Eu vou dialogar com cada um desses eleitores, que muitas vezes votam porque não se sentem representados”, afirmou.

Questionado sobre a relação com o vice-presidente Geraldo Alckmin, Boulos apontou que o surgimento do campo político de extrema-direita, marcado pelo ódio e violência, os aproximou. “Isso fez com que setores que pensam diferente se unissem para poder enfrentar esse campo. Isso teve em jogo na eleição passada, com a chapa Lula-Alckmin, e isso está em jogo novamente nessa eleição”, ressaltou.

Por fim, Boulos aproveitou para criticar a falta de participação de Nunes nos debates e prometeu organizar protestos caso mais encontros sejam cancelados. “Se o nosso adversário não comparecer, vamos convocar a militância para debater com o povo de São Paulo em frente a Prefeitura”, disse, reforçando que, mesmo sem Nunes, haverá debate com a população.

A ausência de Ricardo Nunes no debate foi classificada por Boulos como um “desrespeito lamentável” com os eleitores e um sinal de fragilidade. “A cadeira vazia do debate é novidade. Mas não é uma surpresa. Nunes foi um prefeito fantasma”, postou em suas redes sociais junto com trecho da entrevista, chamando o prefeito de Gasparzinho, o fantasma dos quadrinhos.

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— Guilherme Boulos (@guilhermeboulos.bsky.social) October 10, 2024 at 8:48 AM

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