Haddad acredita no diálogo com EUA e vê Brasil pronto para qualquer cenário

“Está ficando mais claro agora os pontos de vista do Brasil em relação a alguns temas que não eram de fácil compreensão por parte deles”, disse o ministro da Fazenda

(Foto: Diogo Zacarias/MF)

A três dias de entrar em vigor a tarifa de 50% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o ingresso dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aposta que as “negociações vão prosperar”.

“Está ficando mais claro agora os pontos de vista do Brasil em relação a alguns temas que não eram de fácil compreensão por parte deles”, disse o ministro a jornalistas nesta terça-feira (29).

Entre as exigências para evitar o tarifaço e na tentativa de interferir nos assuntos internos do país, Trump quer interromper o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) pela tentativa de golpe.

Sem citar diretamento essa exigência, Haddad lembra que a relação entre os dois países sempre foi amistosa. “Então não há razão nenhuma para que isso mude. Deixar que temas alheios ao governo brasileiro sejam motivo para o recrudescimento de tensões não faz nenhum sentido para nós”, diz.

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O ministro afirma que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tem “feito um esforço monumental de conversar com a sua contraparte”. Ele fez referência à terceira reunião de Alckmin com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.

Sobre o plano de contingência entregue ao presidente Lula, Haddad diz que o foco é a negociação, mas o documento deixa o país preparado para qualquer cenário.

“Nós estamos muito confiantes de que preparamos um trabalho que vai permitir o Brasil superar esse momento que não foi criado por nós, um evento externo que não foi criado por nós”, assegura.

Haddad foi questionado sobre medidas de apoio aos trabalhadores dos setores atingidos pelo tarifaço como a manutenção do emprego assim como ocorreu na pandemia da Covid-19.

“Então, dentre os vários cenários, há um que estabelece esse tipo de apoio, mas não sei qual é o cenário que o presidente vai optar. Por isso que eu não posso adiantar as medidas que vão ser anunciadas por ele”, explica.

O ministro esclarece que são vários cenários e todo tipo de medida cabe em algum deles. “Mas quem vai decidir a escala, o montante, a oportunidade, a conveniência e a data é o presidente. Então, nós não estamos fixados nessa data de 1º de agosto, porque nós temos uma relação que tem que ser restabelecida e vai ser feita com a maior dignidade possível”, considera.

Negociações

Para a abertura de negociações, além das conversas de Alckmin com Lutnick, Haddad diz que ele também mantém diálogo direto com Scott Bessent, secretário do Tesouro do país norte-americano.

Com esse mesmo objetivo, isto é, busca de negociações, o ministro ainda citou a presença do chanceler Mauro Vieira e uma comissão de oito senadores brasileiros nos Estados Unidos.

Por sinal, os parlamentares estão sendo criticados pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o filho 03 do ex-presidente, que está nos Estados Unidos articulando medidas contra o Brasil. “Eu trabalho para que eles não encontrem diálogo”, disse o deputado em entrevista ao SBT.

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