Música e política sempre estiveram ligadas, diz Mariana Aydar

Cantora conversou com o Portal Vermelho antes de embarcar e levar, neste sábado, o forró pé de serra brasileiro para a Festa do Avante, organizada pelo Partido Comunista Português

Mariana Aydar. Foto: Guilherme Nabhan/divulgação

Mariana Aydar está ansiosa. Não porque vai subir no palco de um grande evento, afinal, são mais de 20 anos de carreira, seis discos lançados e a direção de um documentário sobre ninguém menos do que Dominguinhos no currículo. Não mesmo…

Na verdade, Mariana não espera a hora de cantar e celebrar junto ao público da Festa do Avante 2025 “a semana histórica para o meu país, com o julgamento de um ex-presidente que tentou dar um golpe no Brasil”.

Sim. Mariana Aydar não se esconde atrás da arte, muito pelo contrário, ela usa a sua visibilidade, carisma e talento para colocar em pauta questões importantes sobre a liberdade da mulher, contra o machismo e o assédio, a defesa do meio ambiente e, também, pela valorização das raízes nordestinas e da cultura popular.

“A música e a política, para mim, sempre estiveram e estão cada vez mais ligadas”, diz a artista, que fará uma apresentação no sábado (6), às 19h, no Auditório 1º de Maio, um dos principais espaços da Festa do Avante 2025.

Ela se diz feliz por representar uma geração renovada da música brasileira e muito grata por ter recebido o convite para se apresentar “nesta festa tão importante e de cunho político e social”.

Para o seu show na Festa do Avante, ela vai levantar a bandeira do forró pé de serra. “Uma espécie de resistência, né? O forró que Luiz Gonzaga e Dominguinhos pensaram é certamente uma forma de resistência deste lado mais puro mesmo, da cultura mais pé no chão mesmo, mais raiz do Brasil”, defende.

“Estou levando um show de forró, mas também vou fazer algumas músicas da minha carreira, como Zé do Caroço, uma parceria com a Leci Brandão e que vai combinar bastante com a Festa do Avante”, revela Mariana Aydar sobre a parceria com a atual deputada estadual do PCdoB-SP, gravada no seu primeiro disco, “Kavita 1” (2006), onde ela colocou toda a doçura e potência da sua voz neste clássico do samba brasileiro.


Sobre a expectativa para o show, Mariana conta que a recepção do público europeu sempre foi muito boa com o seu trabalho e, na sua opinião, com a música brasileira em geral.

“Cada vez eu ando mais pelo mundo, percebo como a música brasileira é tratada e reverenciada realmente como ela merece, porque a música brasileira é um patrimônio cultural, é uma nascente em fim de águas cristalinas, é uma coisa muito linda. Então, eu fico muito feliz sempre de perceber este respeito”, ressalta a artista.

Vencedora do Grammy e diretora de documentário

Mariana Aydar é vencedora do Grammy Latino em 2020 e 2024, tem seis álbuns e uma carreira marcada pela reinvenção do forró. Ela também realizou um documentário sobre o músico Dominguinhos (2024) e uma websérie sobre a história do forró chamada “Veia Nordestina” (2019), que também deu nome a um dos seus discos. É, ainda, fundadora do bloco Forrozin, que promove a pluralidade cultural no carnaval paulistano, chamando a atenção para a legitimação do forró nas festas de rua. Mariana também já dividiu o palco com nomes como Gilberto Gil, Elba Ramalho e Criolo.