Morre Robert Redford, lenda de Hollywood e do cinema independente
Astro de clássicos, criador do Festival de Sundance e ativista ambiental, Redford morreu aos 89 anos, deixando dois Oscars e um romance com Sônia Braga
Publicado 16/09/2025 11:37 | Editado 16/09/2025 12:44
O ator, diretor e produtor Robert Redford, um dos nomes mais emblemáticos de Hollywood e patrono do cinema independente, faleceu nesta terça-feira (16), aos 89 anos. “Redford morreu em sua casa em Sundance, nas montanhas de Utah, o lugar que ele amava, cercado por aqueles que ele amava”, disse sua assessora em comunicado. A causa da morte não foi divulgada.
Redford consolidou-se como galã nas décadas de 1960 e 1970 em títulos como Butch Cassidy (1969), Golpe de Mestre (1973), O Candidato (1972), Três Dias do Condor (1975) e Todos os Homens do Presidente (1976). Seu carisma natural, os olhos azuis cativantes e o sorriso marcante o transformaram em um ícone cultural. No entanto, foi sua determinação em ir além da aparência que lhe garantiu um lugar de destaque na história do cinema.
Do estrelato à direção premiada
Em 1980, Redford estreou como diretor em Gente Como a Gente, drama que conquistou quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Ele voltaria a ser reconhecido também em Nada é para Sempre (1992) e Quiz Show – A Verdade dos Bastidores (1994), além de estrelar produções como Entre Dois Amores (1985) e Até o Fim (2013), que renderam elogios da crítica.
“Eu apenas considero que tive uma longa carreira da qual estou muito satisfeito. Tem sido tão longa, desde que eu tinha 21 anos”, disse Redford à Associated Press em 2018. “Eu penso que agora que estou chegando aos 80 anos, talvez seja a hora de me aposentar e passar mais tempo com minha esposa e família.”
Sundance: o coração do cinema independente
Visionário, Redford fundou o Instituto Sundance em 1981, com o objetivo de dar voz a cineastas fora do circuito de estúdios. O Festival de Sundance tornou-se um dos principais espaços de revelação de talentos como Quentin Tarantino, Steven Soderbergh e Darren Aronofsky. O impacto também chegou por aqui e, em 1999, Central do Brasil, de Walter Salles, foi premiado no festival e ganhou impulso rumo à indicação ao Oscar.
“Para mim, a palavra a ser sublinhada é ‘independência’”, disse Redford em 2018. “Sempre acreditei nessa palavra. Foi isso que me levou a querer criar uma categoria que apoiasse artistas independentes que não tinham a chance de serem ouvidos.”
Galã, ativista e engajado no Brasil
Nos anos 1990, Redford viveu um relacionamento notório com a atriz brasileira Sônia Braga, uma das relações mais comentadas de sua vida pessoal. Fora das telas, ele se destacou pelo ativismo ambiental, participando de campanhas contra projetos poluentes em Utah e ajudando a transformar áreas naturais em monumentos nacionais.
Galã nas telas, ativista fora delas, Redford deixa como legado não apenas atuações memoráveis e duas estatuetas do Oscar, mas também um compromisso duradouro com a independência artística e a defesa do meio ambiente.
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com agências