Mundo já cruza pontos de inflexão climática, alerta relatório global
Às vésperas da COP30, estudo de 160 cientistas aponta riscos irreversíveis para Amazônia, corais e calotas polares, mas também oportunidades de reverter a crise
Publicado 16/10/2025 14:21 | Editado 17/10/2025 17:03
Às vésperas da COP30, em Belém, o Global Tipping Points Report 2025 acende um sinal de alerta: a Terra entrou em uma nova realidade climática. O aquecimento global já está em 1,4°C e deve ultrapassar 1,5°C nos próximos anos, colocando bilhões de pessoas em risco diante de pontos de inflexão que ameaçam ecossistemas inteiros e a estabilidade social e econômica do planeta. Este pontos são limiares que, se ultrapassados, levam a uma mudança muitas vezes irreversível, também conhecidos como “pontos de não retorno”.
Segundo o estudo, elaborado por 160 cientistas de 87 instituições em 23 países, corais de águas quentes já ultrapassaram seu limite térmico, com mortalidade em massa que compromete os meios de vida de até um bilhão de pessoas. As calotas polares da Groenlândia e da Antártica Ocidental podem já estar em colapso, prenunciando metros de elevação irreversível do nível do mar. A Amazônia, por sua vez, corre risco de degradação generalizada abaixo de 2°C, com impactos devastadores para a biodiversidade e mais de 100 milhões de pessoas que dependem da floresta.
Escalada de riscos e justiça climática
O relatório, publicado na última segunda-feira (13), ressalta que cada fração de grau conta. Um aumento de apenas 0,1°C eleva significativamente a chance de colapsos em cascata, como o da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC), que poderia alterar o regime de chuvas na África, reduzir a produtividade agrícola e mergulhar a Europa em invernos extremos.
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Os autores afirmam que enfrentar os pontos de inflexão é também uma questão de direitos humanos, defendendo a inclusão do tema em litígios e políticas públicas. A desigualdade é um fator-chave: pequenos Estados insulares, a bacia amazônica e regiões da Ásia e da África são os mais vulneráveis, enquanto países ricos enfrentam sobretudo desafios econômicos e de infraestrutura.
Ação imediata e pontos de inflexão positivos
Para evitar danos irreversíveis, o estudo defende medidas urgentes: reduzir pela metade as emissões globais até 2030, alcançar a neutralidade em 2050 e acelerar a remoção sustentável de CO₂. Isso requer cortar drasticamente o uso de combustíveis fósseis e mitigar rapidamente poluentes de curta duração, como o metano.
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Ao mesmo tempo, o relatório traz uma mensagem de esperança: os chamados pontos de inflexão positivos. A rápida adoção de energia solar e veículos elétricos, a queda nos preços das baterias e o avanço de litígios climáticos e projetos de regeneração da natureza mostram que mudanças aceleradas são possíveis. Quando bem coordenadas, essas transformações podem se espalhar em cadeia, permitindo novas transições em outros setores, como agricultura e uso da terra.
Amazônia no centro do debate
Um dos casos mais emblemáticos é a Amazônia, que já enfrenta secas recordes. O relatório reforça a urgência de políticas baseadas em justiça socioambiental: proteção de terras indígenas, combate ao desmatamento, investimentos em bioeconomia e fortalecimento da governança local. Segundo os cientistas, territórios indígenas e áreas protegidas são os principais redutos de resistência climática e precisam ser apoiados para evitar um colapso irreversível.
Decisão histórica na COP30
O documento conclui que o mundo está diante de uma corrida entre pontos de inflexão negativos, que ameaçam sistemas naturais e sociais, e positivos, capazes de conduzir a humanidade a um futuro sustentável. A escolha, afirmam os autores, depende de decisões políticas e da mobilização social.
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“A janela de oportunidade está se fechando rapidamente”, advertem os cientistas. Mas se houver cooperação global e ação imediata, a COP30 poderá ser lembrada como o momento em que a comunidade internacional conseguiu virar o jogo contra a crise climática.
Acesse a íntegra do relatório (em inglês) abaixo: