Lula aprofunda cooperação entre Brasil e Indonésia
Brasil reforça laços com países do Sul Global e fortalece multilateralismo mundial
Publicado 24/10/2025 17:48 | Editado 24/10/2025 21:11
Em mais uma etapa da ofensiva diplomática do governo brasileiro pela reconstrução da política externa soberana e ativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu sua visita à Indonésia com uma série de acordos estratégicos e o anúncio do empenho do Brasil em tornar-se membro pleno da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A visita marcou o retorno de Lula à Indonésia após 17 anos — a última havia sido em 2008, quando foi estabelecida a parceria estratégica entre os dois países. Desde então, os laços bilaterais se intensificaram, com destaque para a visita do presidente indonésio Prabowo Subianto ao Brasil em julho, último. Segundo ministro das Relações Exteriores, o chanceler Mauro Vieira, essa sequência de encontros presidenciais em curto intervalo de tempo demonstra que as relações Brasil-Indonésia atravessam seu melhor momento histórico.
A delegação brasileira foi robusta e contou ainda com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro; a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; o presidente do IBGE, Marcio Pochmann; além de mais de 100 empresários de diversos setores.
Acordos estratégicos e fortalecimento comercial
A agenda incluiu reuniões com autoridades e empresários indonésios, com destaque para o encontro com cerca de 20 lideranças empresariais locais e o encerramento de um fórum que reuniu cerca de 400 participantes. No encontro com o presidente Prabowo Subianto, foram assinados oito acordos bilaterais nas áreas de mineração, energia, agricultura, ciência e tecnologia, além de cooperação estatística. Também foram firmados instrumentos privados com foco na transição energética e no domínio das cadeias produtivas de minerais críticos.
Lula celebrou o anúncio de que o idioma português será oferecido como disciplina opcional nas escolas indonésias, fortalecendo os laços culturais entre os dois países. No campo científico, foi assinado um memorando de entendimento para fomentar pesquisas conjuntas em biodiversidade, mudanças climáticas, tecnologia espacial e energia limpa.
O comércio bilateral, atualmente na casa dos US$ 6 bilhões, foi considerado aquém do potencial das duas nações, que juntas somam quase 500 milhões de habitantes e compartilham vastas reservas florestais. A Indonésia já figura como o quinto destino das exportações do agronegócio brasileiro, e há expectativa de avanço nas negociações para um acordo entre Mercosul e Indonésia até dezembro de 2025, com foco na facilitação comercial e na redução de barreiras sanitárias e fitossanitárias.
Lula aproveitou para defender o uso de moedas locais no comércio entre os dois países. “No âmbito do Brics, o Pix brasileiro e o Qris indonésio oferecem modelos de sistemas de pagamentos eficazes e acessíveis, que podem inspirar medidas que facilitarão o comércio em moedas locais entre os países do bloco”, disse o presidente durante evento com empresários brasileiros e indonésios.
Protagonismo internacional
Na coletiva de imprensa, Lula destacou o otimismo com os resultados. “Viemos buscar parcerias equilibradas, para vender, comprar e investir. O comércio de US$ 6,3 bilhões é muito pouco para países com populações de 215 milhões e 280 milhões.”, afirmou. O presidente agradeceu à Apex e aos mais de 100 empresários brasileiros que participaram da missão, ressaltando a importância de diversificar as parcerias econômicas, comerciais, universitárias e científicas.
Lula também comentou sua participação inédita como presidente brasileiro em uma cúpula da Asean, celebrando a aproximação com o bloco e reiterando o desejo do Brasil de se tornar membro pleno. “Estamos participando da União Africana, da União Europeia, da Celac e agora da Asean. O Brasil precisa estar presente onde se decide o futuro do mundo”, disse.
Sobre o momento econômico brasileiro, Lula destacou o crescimento acima de 3% nos últimos anos e afirmou que as viagens internacionais têm como objetivo ampliar a balança comercial, atrair investimentos e fortalecer reservas.
Lula e Trump
Durante a coletiva, Lula também respondeu a perguntas sobre o aguardado encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para ocorrer na Malásia. O presidente brasileiro disse que espera uma conversa franca e sem restrições, com disposição para tratar de qualquer tema — de Gaza à Venezuela, passando por minerais críticos e redes sociais. “Não há veto a nenhum assunto. O importante é que haja boa vontade para superar divergências e normalizar as relações entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
Ao final da visita, Lula foi surpreendido com uma celebração antecipada de seus 80 anos, organizada pelo governo indonésio. Em tom emocionado, agradeceu a acolhida calorosa e reforçou a importância da viagem para o fortalecimento das relações entre os dois países. Encerrando a agenda oficial, o presidente defendeu a ampliação das parcerias comerciais e diplomáticas, destacando o papel dos líderes na construção de pontes entre nações. “O mundo exige dos líderes políticos mais vontade de negociar e fazer as coisas acontecerem”, declarou.
Ainda em Jacarta, capital da Indonésia, Lula se reuniu com o secretário-geral da Asean, Kao Kim Hourn, em Jacarta, capital da Indonésia. Em seguida, o presidente embarcou para Kuala Lampur, na Malásia, onde participará da 47ª Cúpula da entidade, neste domingo (26).