Rodrigo Paz assume na Bolívia e exclui indígenas de seu governo

Presidente boliviano forma gabinete sem representantes indígenas, apesar de 38,7% da população se declarar originária, rompendo com 20 anos de inclusão social.

Rodrigo Paz é o novo presidente da Bolívia | Foto: reprodução/https://www.pbs.org/

O presidente de centro-direita da Bolívia, Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão), empossou neste domingo (9) seu gabinete ministerial, marcando uma guinada política no país ao excluir completamente representantes indígenas e populares — grupos que estiveram no centro das decisões de governo durante quase duas décadas de administrações socialistas. As informações da Folha de S.Paulo.

Segundo o censo de 2024, 38,7% dos 11,3 milhões de bolivianos se identificam como indígenas, principalmente das etnias quéchua e aimara. A ausência de nomes desses grupos na nova equipe foi vista como símbolo de ruptura com o modelo de representação adotado por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), que incluíam dirigentes camponeses e líderes comunitários nos ministérios.

Gabinete técnico e perfil empresarial

No lugar dos representantes populares, Paz optou por tecnocratas e aliados ligados à iniciativa privada. Entre os principais nomes estão José Luis Lupo (Presidência), Fernando Aramayo (Chancelaria), Marco Antonio Oviedo (Governo), Gabriel Espinoza (Economia) e Mauricio Medinacelli (Hidrocarbonetos e Energia).
Em seu discurso de posse, o presidente afirmou que é “momento de dar espaço à meritocracia, à eficiência e à transformação do Estado”, justificando a ausência de movimentos sociais em sua administração.

Prioridades econômicas e tensão simbólica

Paz, que assumiu o cargo no sábado (8), ordenou aos ministros que enfrentem a escassez de combustíveis, a falta de dólares nos bancos e a inflação de 19% registrada em outubro.

A cerimônia de posse também evidenciou mudanças simbólicas. O presidente restaurou o uso da Bíblia e do crucifixo — substituídos nos governos anteriores por símbolos indígenas — e retirou a bandeira multicolor wiphala da fachada do palácio presidencial, gesto que gerou forte reação do ex-mandatário Evo Morales.

“Retirá-la é uma ofensa ao movimento indígena originário camponês e uma tentativa de apagar a memória coletiva. De um Estado de inclusão passamos a um de exclusão”, escreveu Morales nas redes sociais.

Enquanto isso, o ex-presidente segue em Chapare, onde enfrenta uma ordem de prisão por um caso de tráfico de menores, denúncia que ele nega. O contraste entre a nova composição de governo e a diversidade étnica da Bolívia reforça o divisor de águas político que marca o início da gestão de Rodrigo Paz.

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com informações de agências

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