Imprensa mundial destaca início da pena de Bolsonaro e resiliência do Brasil
Jornais classificaram Bolsonaro como extremista, denunciaram a conspiração violenta e ressaltaram a firmeza do STF em iniciar a execução da pena de 27 anos
Publicado 26/11/2025 12:26 | Editado 26/11/2025 12:39
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que decretou o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiu amplamente na imprensa mundial nesta terça-feira (25).
Veículos dos Estados Unidos, Europa, América Latina, Israel e Rússia classificaram o caso como um marco na responsabilização da extrema direita e revisitaram as provas do plano golpista que buscou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2023.
As publicações enfatizaram o fracasso da conspiração, a tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica e a resiliência das instituições brasileiras diante de pressões internas e externas.
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A repercussão europeia concentrou-se na gravidade da trama golpista e no papel do STF. O El País afirmou que “o momento tão aguardado por ativistas de esquerda brasileiros e familiares de vítimas do coronavírus chegou”, classificando Bolsonaro como responsável por “liderar uma conspiração golpista”.
O jornal destacou que o ex-presidente está “tecnicamente preso” e afirmou que a Corte levou em conta sua “idade e saúde frágil” ao determinar o local da pena.
A publicação definiu o STF como “grande defensor da democracia” e lembrou que Alexandre de Moraes — chamado pelos bolsonaristas de “o pior inimigo” — negou a prisão domiciliar.
O periódico também escreveu que “se Bolsonaro cumprisse toda a sua pena na prisão, seria libertado após quase 100 anos”, apontando que o silêncio imposto pelo processo enfraqueceu seu capital político.
Em tom incisivo, o jornal afirmou que “nem a formidável pressão exercida pelo presidente [Donald] Trump, na forma de ameaças, tarifas e sanções econômicas contra juízes, conseguiu salvar seu aliado”, concluindo que “as instituições brasileiras demonstraram notável resiliência diante das ameaças e agressões do político mais poderoso do mundo”.
Na França, o Le Monde informou que Bolsonaro passou a cumprir a pena, tornando “definitiva sua condenação” após “esgotar todos os recursos cabíveis”. A France24 destacou que “os recursos de defesa de Bolsonaro se esgotaram”, reforçando o caráter conclusivo da decisão.
Já o britânico The Guardian sublinhou que o ex-presidente, descrito como “populista de extrema-direita”, ficará em um “quarto de 12 metros quadrados” e que a conspiração incluía “o assassinato de Lula e de seu vice, Geraldo Alckmin”.
O jornal afirmou ainda que a prisão gerou “júbilo entre os brasileiros progressistas” pela memória de um governo marcado por devastação ambiental e hostilidade às minorias.
Nos Estados Unidos, o The New York Times destacou que “o Supremo Tribunal Federal do Brasil ordenou que o ex-presidente Jair Bolsonaro comece a cumprir pena de prisão por conspiração para permanecer no poder após a derrota nas últimas eleições”.
O periódico definiu a trama como “uma conspiração fracassada para se manter no poder” e retomou os elementos centrais do plano, incluindo a dissolução do STF e o assassinato de Lula e Alexandre de Moraes.
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O jornal registrou que a defesa atribuiu o estado de saúde do ex-presidente a “problemas de saúde relacionados a complicações de um ataque a facadas sofrido em 2018”, mencionando ainda as “crises frequentes de soluços e vômitos”.
Em artigo, o correspondente Jack Nicas escreveu que “o presidente Trump tentou impedir que o ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, fosse preso. Ele falhou e agora está seguindo em frente”, indicando que o republicano reduziu seu interesse no caso depois da reaproximação diplomática entre Washington e Brasília.
A Bloomberg retomou o apelido “Trump dos Trópicos” e lembrou que Bolsonaro buscou apoio externo depois da derrota, mas que “o interesse de Trump na situação de Bolsonaro parece ter diminuído”.
A CNN International ressaltou a robustez institucional, registrando que “Bolsonaro testou a democracia brasileira. A Suprema Corte interveio”.
A emissora classificou a detenção preventiva como “uma das respostas mais extraordinárias que uma democracia pode empregar contra um ex-líder”, destacando que a trajetória política do ex-presidente levou as instituições brasileiras “ao limite de sua capacidade”.
Na América Latina, a cobertura enfatizou a deterioração política e física de Bolsonaro. O Clarín citou que ele “tem a saúde debilitada, sofre crises de ansiedade, soluços e vômitos” e destacou sua tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica.
O jornal relatou que Bolsonaro “negou (…) que sua intenção ao tentar danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda improvisado fosse fugir”, atribuindo o episódio a “paranoia” e “alucinações” causadas por medicamentos.
A imprensa argentina também sublinhou que o ex-presidente é hoje um dos maiores símbolos internacionais da extrema direita em declínio.
O Canal RT Notícias, da Rússia, reproduziu a versão policial, informando que Bolsonaro permanece preso “após tentar danificar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda” e que a cautelar foi mantida devido ao “risco de fuga detectado pela Polícia Federal”.
A imprensa latino-americana também repercutiu o impacto político entre os militares envolvidos na trama golpista, registrando que vários generais condenados iniciaram o cumprimento de pena em instalações castrenses.
Os veículos regionais destacaram a quebra de um histórico de impunidade e a exposição de vínculos operacionais entre o bolsonarismo e segmentos da alta hierarquia militar.
O Times of Israel afirmou que a condenação deve desencadear “uma semana agitada e tensa”, citando o senador Flávio Bolsonaro, que promete “continuar pressionando pela aprovação de um projeto de anistia”, apesar de o jornal observar que a iniciativa “perdeu força nos últimos meses”.
Segundo a publicação, o tema deve voltar “durante todo o ano de 2026”, indicando que o bolsonarismo tentará capitalizar politicamente a prisão do ex-presidente.
A alemã Deutsche Welle classificou a decisão como “decisão histórica”, lembrando que ocorre quase três anos após o ataque de 8 de janeiro, quando “manifestantes depredaram a Praça dos Três Poderes numa tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022” — uma associação direta entre o bolsonarismo e a violência política.
Agências como EFE e Reuters também repercutiram o caso, com a agência britânica descrevendo que o STF concluiu o processo “abrindo caminho para o início da sua sentença”, reforçando a percepção internacional de que o Brasil encerrou um dos episódios mais graves de sua história institucional recente.