Bombardeios marcam anúncio de Trump sobre segunda fase do plano para Gaza
Plano prevê criação de Conselho de Paz e governo palestino de transição sob supervisão internacional, enquanto bombardeios israelenses matam ao menos 16 pessoas em 24 horas
Publicado 16/01/2026 10:45 | Editado 18/01/2026 14:15
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (15) a segunda fase do plano norte-americano para a Faixa de Gaza, que prevê a criação de um Conselho de Paz e de um governo palestino de transição sob supervisão internacional, com a desmilitarização do Hamas como um dos eixos centrais da iniciativa.
O anúncio ocorre em meio a uma nova onda de bombardeios israelenses sobre Gaza, que deixou ao menos 16 palestinos mortos nas últimas 24 horas, segundo a rede Al Mayadeen, enquanto as operações militares seguem em curso no território.
A segunda fase do plano inclui a instalação de um comitê tecnocrático palestino composto por 15 membros, encarregado da administração cotidiana da Faixa de Gaza durante um período de transição.
A ideia é excluir o Hamas e outras facções palestinas de resistência do novo processo político no enclave árabe.
De acordo com mediadores envolvidos nas negociações, entre eles Egito, Catar e Turquia, o comitê deverá concentrar-se na gestão de serviços essenciais e na reorganização administrativa do território devastado pela ofensiva militar israelense.
O plano prevê que esse comitê atue sob a supervisão direta do Conselho de Paz, sem caráter eletivo e sem controle sobre questões centrais como segurança, fronteiras e defesa.
A proposta também contempla o envio de uma “força internacional militarizada de estabilização”, em tese responsável por garantir a segurança e treinar unidades selecionadas da polícia palestina, embora não haja definição sobre sua composição ou mandato.
A desmilitarização do Hamas é apresentada por Trump e por seu enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, como elemento central da segunda fase do plano.
Segundo Witkoff, a etapa em curso tem como objetivo a “desmilitarização total de Gaza”, incluindo o desarmamento de facções consideradas não autorizadas. Até o momento, não há acordo público do Hamas sobre essa exigência.
Apesar do anúncio da nova fase, não foi divulgado qualquer cronograma para a retirada completa das tropas israelenses da Faixa de Gaza.
A retirada está prevista no marco geral do plano apoiado por Washington, mas segue sem datas ou mecanismos definidos, mantendo a presença militar israelense no território durante a chamada transição.
Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro, os bombardeios israelenses diminuíram, mas não cessaram. Autoridades de saúde de Gaza afirmam que mais de 450 palestinos foram mortos desde então, além de centenas de feridos, em ataques registrados mesmo durante a vigência do acordo.
Em reação ao anúncio de Trump, o dirigente do Hamas Basem Naim declarou que “a bola está agora no campo dos mediadores, do garante norte-americano e da comunidade internacional”, cobrando condições concretas para qualquer arranjo administrativo em Gaza.
O grupo palestino tem reiterado que qualquer transição política depende do fim da presença militar israelense e de garantias reais para a população do território.
As negociações da segunda fase têm sido conduzidas principalmente no Cairo e envolvem, além da governança de Gaza, discussões sobre a retirada adicional das forças israelenses, a reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, e a entrada de ajuda humanitária estocada do lado egípcio.
Com impasses persistentes sobre desarmamento, retirada militar e governança, diplomatas envolvidos no processo avaliam que a segunda fase do plano avança sob forte condução externa e sem definição clara sobre os termos de soberania palestina, em um contexto marcado pela continuidade da violência e da ocupação no território.